quarta-feira, 30 de abril de 2014

terça-feira, 29 de abril de 2014

R.F.Lucchetti: Memória Cinematográfica


SARAI
Rubens Francisco Lucchetti

Houve uma escassez de alimentos no país; e, como a fome apertava, Abrão decidiu mudar-se para o Egito. Quando estava chegando lá, disse à sua mulher Sarai:

– Olhe! Eu sei que você é uma mulher muito bonita. Quando os egípcios virem você, vão dizer: “É a mulher dele.” E me matarão, deixando você viva. Diga, por favor, que você é minha irmã, para que eles me tratem bem por sua causa. Assim, graças a você, eles me deixarão vivo.

De fato, quando Abrão chegou ao Egito, os egípcios notaram que sua mulher era muito bonita. Os oficiais do faraó viram Sarai e a elogiaram muito diante do soberano. Sarai foi levada ao palácio do faraó. E, por causa dela, Abrão recebeu do faraó ovelhas, bois, asnos, escravos, servas, jumentas e camelos.

Deus, porém, castigou o faraó e sua corte com graves doenças, por causa de Sarai. Então, o faraó chamou Abrão e lhe disse:

– Que foi você me fez? Por que não me contou que ela era sua mulher? Por que me disse que era sua irmã? Eu a tomei por minha esposa. Aqui está ela. Tome-a de novo por sua mulher, e vão embora.

Rubens Francisco Lucchetti é ficcionista e roteirista de Cinema e Quadrinhos.

Este texto foi transcrito do livro (inédito) Sagradas e Profanas.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Rodrigo Feldman

 
Ator e cineasta. Construiu uma sólida trajetória no Teatro. No cinema atuou no curta-metragem ‘Café Turco (2011)’, entre outros trabalhos.
 
O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Trabalho como ator há mais de quinze anos. Tive a chance de ver um pouco deste cruel e apaixonante mercado no Brasil e Europa, pois morei quatro anos na França estudando e trabalhando em cinema e teatro. Para espanto de muitos, a carreira de ator lá fora não mais fácil como muitos imaginam. Existe sim uma grande diferença na forma como o artista é visto e seu papel na sociedade. No Brasil, é ainda muito marginalizada, engatinhando em termos de profissionalização do artista. Aqui, a diferença do ator profissional do amador é possuir seu registro junto ao sindicato, não na forma que ganha a vida. As escolas ensinam apenas a interpretar, mas não preparam o profissional para o mercado, construir uma carreira a longo prazo. Diferente das outras carreiras, o ator não tem estágios, trainees, crescem, viram gerentes juniores, dentre outros. 
 
A maioria vê a profissão de forma muito ilusória e ingênua, o que não condiz com a realidade. Por isso, tantos começam, porém poucos se mantém. Uma carreira longa e duradoura se faz com muito trabalho, dedicação e amor, mas principalmente, de paciência. Muitos confundem ter sucesso com ser uma celebridade. A fama pode ajudar muito o artista preparado e consciente, mas também pode ser péssimo ao deslumbrado e imaturo. Pode até sufocar e destruir uma carreira promissora de um talentoso profissional mal preparado. 
 
Os curtas-metragens, na maioria das vezes, não podem e muitas vezes nem querem contratar atores renomados. Pela possibilidade de exploração de linguagens que os curtas oferecem, orçamentos reduzido ou inexistentes, abrem espaço para novos talentos e cobrem essa lacuna. Permitem que novos profissionais sejam vistos,  aprendam. Por isso, participar de curtas metragens é praticamente obrigatório para os que desejam explorar e trabalhar nesta área, como forma de aprendizado e até mesmo a oportunidade de testar seus talentos. Mostrar seu potencial. Perceber e viver a realidade e se preparar para o mercado.  
 
Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Na verdade isso esta mudando. A qualidade das produções de curtas tem aumentado muito, assim como a quantidade, proporcionado pelas novas tecnologias e formas de divulgação e exibição que tornam essa arte mais acessível. Além disso, os curtas até então era vistos apenas como filmes menores, mais curtos, não como um produto totalmente diferente. Não tinham muito apelo comercial, exceto os da publicidade. E estes, pelo caráter puramente comercial, não mereciam se enquadrar como legítimas representações da mistificada "Sétima Arte". O que é um paradoxo, uma vez que os longas recebem possuem esse grande espaço de  mídia e crítica, justamente por seu possibilidade de exploração comercial. Os curtas nunca foram produzidos para garantirem bilheteria. Eram formas de explorar novas linguagens de filmagens, apresentar novos diretores, uma espécie de estágio para cineastas. Isso teve sua importância e ainda vai ter sua importância no futuro, porém não como única forma de exploração. Atualmente, a veiculação e distribuição estão se inovando e expandindo, novos mercados vão se abrir. Principalmente para histórias curtas. A forma que vemos o cinema esta mudando, e os curtas metragens terão papel fundamental nesta transformação. 
 
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Para atingir mais público, precisamos mudar sua forma de distribuição e comercialização. Não ver os curtas como filhos pequenos de longas metragens. Os Festivais de cinema estimulam muito sua produção, o que é ótimo. Fazem com que pessoas percebam o potencial de explorar essa linguagem, mas só é eficaz se conseguir se sustentar. Este apoio faz com que tenhamos mais intimidade e acesso a esse filho marginalizado. Mas penso que, assim como as Leis de Incentivos Fiscais, são apenas comburentes para o fogo, não o combustível. Para que o fogo sobreviva, precisamos do combustível que alimente a energia necessária para continuar queimando. Devemos inovar não somente na forma de produzir, mas em todas as áreas agregadas a sua difusão e comercialização. Assim como grandes obras como "Dom Quixote" são publicadas e possuem um público que a sustenta e faz existir, contos e crônicas tem seu mercado garantido em jornais, blogs, panfletos. E ambos fazem parte da grande "Literatura". Quando ousarmos mais, explorar a vasta possibilidade comercial dos curtas metragens, encontrando seu mercado, vendo-os não somente como filmes menores, descobrir novas formas de exibição e distribuição, explorando todas formas possíveis e seu poder de comunicação, teremos identificado um público que dará o combustível que falta para este  fogo, aceso há muito tempo. Vamos poder descartar os fósforos e desfrutar deste poderoso fogo que se manterá por muito tempo já que não vai mais poder se apagar.
 
É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Pois é, como disse anteriormente, esta era a única forma de explorar os curtas. Mas com certeza ser cineasta de curta-metragem será muito diferente da forma que vemos hoje. Assim como temos cronistas excelentes hoje em dia que talvez não pretendem escrever Epopeias, satisfeitos e realizados com o que fazem, o curta-metragista vai encontrar sua forma sincera de se expressar. 
 
O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Sim e não. Na verdade creio que é mais marginalizado pela forma em que os próprios realizadores se posicionarem muitas vezes como aprendizes, treinando para realizem longas-metragens. Como os curtas ainda são produzidos sem explorar seu pleno potencial de comunicação e distribuição, tornam-se apenas escolas. Mas podemos ir muito além disso, se explorarmos seu potencial de penetração junto a um público ávido por rapidez e comunicação direta. Tenho visto diversos curtas metragens com roteiros, direção, interpretação geniais... mas raríssimos os que exploram a forma de comunicação com a parte fundamental deste ciclo, seu público.
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sim, claro! Já dirigi alguns programas e curtas, gosto muito disso. E com certeza, está nos meus planos. Assim que encontrar um roteiro que me pegue, certamente colocarei toda minha energia para vê-los nas telonas... ou não!

sexta-feira, 25 de abril de 2014

R.F.Lucchetti: Memória Cinematográfica



O DIA EM QUE ESBARREI EM EVELYN ANKERS
Rubens Francisco Lucchetti


Entre o início de 1944 e meados de 1945, trabalhei como office-boy numa loja de autopeças pertencente a uns primos da minha mãe. Essa loja ficava na Avenida São João, quase na esquina da Rua General Osório; e meu trabalho era fazer cobranças e entregas, percorrendo a pé as ruas do centro de São Paulo.

Ao lado da loja de autopeças, funcionava o Grill-Room Maravilhoso, que devia ser uma boate, pois tinha uma vitrina onde sempre estavam expostos cartazes e fotos de atrizes, cantoras e vedetes.

Numa tarde de 1944, saí para fazer uma entrega, carregando um pacote com meia dúzia de bombas para encher pneus de bicicleta. Eu caminhava tão distraído, que nem reparei que alguém descera de um carro (presumo que era um táxi) e cortara minha frente para entrar no Grill-Room. Esbarrei, então, nesse alguém, que era uma jovem loura muito bonita. A moça me segurou, para eu não cair; e, num outro idioma, falou algo que não entendi. Ela estava acompanhada de outras pessoas, que sorriam e me deixaram passar. Fiquei muito envergonhado e, sem saber se era o caminho que eu devia seguir, virei a primeira esquina. No dia seguinte, como de costume, parei na vitrina do Grill-Room... e vi várias fotos da loura e um cartaz no qual estava escrito o nome dela, Evelyn Ankers. Poucos anos depois, ao assistir a O Lobisomem, filme estrelado por Lon Chaney e produzido pela Universal, descobri que havia esbarrado numa atriz norte-americana (na verdade, ela nasceu no Chile e era britânica; mas trabalhou em muitos filmes estadunidenses e faleceu no Havaí).

Rubens Francisco Lucchetti é ficcionista e roteirista de Cinema e Quadrinhos.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Cristina Prochaska

 
Atriz e jornalista. No cinema atuou em ‘Uma Escola Atrapalhada’; ‘No Coração dos Deuses’; ‘Avassaladoras’, entre outros. É uma das idealizadoras do Festival Internacional de Cinema de Ubatuba.
 
O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Em primeiro lugar meu profundo respeito aos cineastas que lutam para manter viva a linguagem de curta-metragem num Pais como o nosso. Depois vem a atriz, que gosta de trabalhar, de fazer cinema e estar junto a essa turma de sonhadores que não desistem de fazer seus filmes. Sempre que convidada eu faço. Até gostaria de fazer mais. Me coloco à disposição aqui (rsrsrs) inclusive como still ou preparando atores.
 
Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acho isso muito triste. Se não fossem os Festivais e o Canal Brasil estaríamos enterrando a carreira dos curtas-metragens no Brasil. Não temos mais espaço porque a mídia é "burra". Se contenta com o sucesso plastificado. Mas não podemos desistir. 
 
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Voltar a ser obrigatório, por Lei, a exibição de um curta-metragem antes das apresentações dos longas nas salas de cinema de todo o Pais. Todos os cineastas e técnicos deveriam se juntar e desenterrar essa Lei. Mas a classe é desunida. Isso me entristece. Eu não desisto. 
 
É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Acho que o cinema de curta-metragem é uma linguagem diferente do "cinemão", mas é cinema em sua essência. Claro que o curta é laboratório para muita gente e para técnicos novos e em estudo. Por outro lado acredito que o curta-metragem tenha uma característica só dele de linguagem e formato. Não encaro como "trampolim" encaro como laboratório. Mas reafirmo que na minha opinião o cinema de curta-metragem tem vida própria, independente de outros formatos. Na verdade eu não comparo os dois, são duas linguagens e produtos diferentes. Adoro o cinema de curta-metragem e sua sabedoria em contar estórias ou documentar a vida em até vinte minutos. Gosto da agilidade que ele impõe ao cineasta , da agilidade emocional e intelectual de se "virar" no roteiro bem amarrado e gerar em tão pouco tempo , comparando ao longa , as emoções  e reações da plateia. Acho genial. 
 
O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Bem, não posso falar por todos. Falo por mim e por amigos que não desistem - Se um artista ou cineasta acredita que a linguagem de curta-metragem "é menor" ou tem "menos valor", ele deveria mudar de profissão e abrir um comércio de sapatos ou roupas da moda. Isso me tira do sério. (rsrsrs)
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sim, penso sim. Tenho roteiros escritos e acabei de vender meu carro para comprar um equipamento básico para fazer meus filmes e ajudar os amigos. Não vou desistir de fazer do meu sonho, uma emoção na tela. Quero documentar o Mundo em que vivo e essas personagens maravilhosas que eu esbarro todos os dias. Mas é necessário que haja mais união, ou veremos o cinema de curta metragem sumir, sucumbir lentamente. 

quarta-feira, 23 de abril de 2014

R.F.Lucchetti: Memória Cinematográfica



R.F.Lucchetti trabalhou com cinema infantil.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Kátia d'Angelo

 
Atriz. No cinema atuou em ‘O Lado Certo da Vida Errada’; Os Trombadinhas’; ‘Gente Fina É Outra Coisa’; ‘As Granfinas e o Camelô’, entre outros.
 
O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem
Só participei de um curta-metragem cuja experiência não foi das melhores, mas é um projeto a médio prazo, para começar a dirigir. Já fiz dois documentários em curta-metragem.
 
Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Deveria, né? Mas a internet está se encarregando disso.
 
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Em todos os lugares possíveis. Bares, festas, escolas e cinemas.
 
É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Vários vivem disso.
 
O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Não, claro que não.
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Penso  sim, uma câmera na mão e muitas viagens pelo mundo.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

R.F.Lucchetti: Memória Cinematográfica



A experiência de R.F.Lucchetti no universo cinematográfico infantil.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Charlene Chagas

 
Formada na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) no curso de Comunicação e Artes do Corpo e na Escola Técnica de teatro, RECRIARTE/ Actor Scholl Brazil. Atuou no filme 'Desaparecidos' dirigido por David Shourman, em vários curtas-metragens como 'Morte Morte Jhonny Zombie' e nas novelas 'Passione' dirigido por Carlos Araújo, Luiz Henrrique Rios e Denise Saraceni e 'Caminho das Índias' dirigida por Schechtman.
 
O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Primeiramente o projeto como um todo e o roteiro! Depois de conversar e tirar dúvidas sobre tudo, simplesmente agarro com unhas e dentes e cuido para fazer o melhor; sempre.
 
Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Olha, todos que eu fiz até agora foram simplesmente uma delícia de participar: o roteiro, as pessoas, a equipe, apesar de exigir um tempo muito grande pra isso, o resultado final supre qualquer "desconforto". rsrsrsr 
 
Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acho que falta um pouco de interesse de toda a mídia  com relação aos curtas, afinal tem curtas incríveis que giram o mundo e ninguém fica sabendo, somente nós da área artística. Se fosse mais divulgado, com certeza ocorreria um turbilhão de ideias de curtas pelo mundo! rsrsrs  
 
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Creio que poderia ter salas de cinemas adaptadas e ter um espaço nas emissoras de televisão para a exibição de curtas, isso seria incrível!
 
O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Creio que é um dos campos de liberdade para a experimentação, acho que em todas as outras áreas artísticas podemos experimentar e ousar sempre. Depende de cada um!
 
O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Não necessariamente, depende muito de cada curta( falando em todas as áreas: atuação, direção e produção)  Mas no mundo da arte tudo pode ser possível, né? rsrsrs 
 
Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Receita?! Olha se tivesse uma receita feita seria bem mais fácil (rsrsrs).  Acho que se todos acreditam no projeto, a força e união de um grupo faz toda a diferença.
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Por enquanto não tenho projetos para dirigir um curta, mas como o futuro a Deus pertence, quem sabe um dia... rsrsrsrs

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Tomas Portella

 
Diretor. Trabalhou como assistente de direção em cerca de 20 filmes, entre eles, ‘Tainá 2 – A aventura continua’ e ‘Meu nome não é Johnny’, ambos de Mauro Lima, ‘Lisbela e o prisioneiro’ (2003) e ‘O bem amado’ (2010), ambos de Guel Arraes e ‘Ensaio sobre a cegueira’ (2008), de Fernando Meirelles. Assinou seu primeiro trabalho na direção em 2011, com o longa-metragem ‘Qualquer gato vira-lata’, adaptação da peça homônima de Juca de Oliveira.
 
O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Infelizmente nunca participei da produção de nenhum curta, mas certamente participarei no dia que cruzar meu caminho. Acho que o grande estimulo para participar é a possibilidade de experimentação, a liberdade de trabalhar num sistema mais leve e mais barato além de poder contar historias que cabem em formatos específicos.
 
Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Tenho pouco conhecimento sobre o assunto, mas arriscaria dizer que é um ciclo vicioso da falta de exposição com a falta de interesse. As pessoas não se interessam porque não conhecem e não conhecem porque não se interessam. Era preciso promover mais a exibição de curtas em todas as mídias para quebrar esse ciclo, tem muitos curtas bons por ai que não chegam ao publico e consequentemente aos críticos e a mídia.
 
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Acho que conquistar um espaço nas TVs abertas seria um grande avanço. É definitivamente uma ótima forma de divulgar, mas o mais importante é realmente fomentar a criação de mais festivais onde os filmes possam ser vistos na janela em que foram pensados.
 
É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
É possível porém acho complicado se sustentar somente com isso, conseguir verba suficiente para filmar seu curta já é bem difícil e ainda sobrar dinheiro para pagar suas contas, o cara tem que ser magico. O curta-metragem costuma ser um trampolim para fazer um longa (que não é meu caso) na medida em que você consegue mostrar um pouco do seu trabalho. É bem complicado provar para investidores, que um estreante, sem nada pra mostrar é o cara certo para se investir milhões de reais.
 
O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Acho que não, a maioria dos cineastas já fez ou como no meu caso, quis fazer um curta. Existe muitas vezes, entre os profissionais, o problema em participar de curtas que é relacionado ao dinheiro. Os caches pagos a equipe (quando tem cachê) são muito baixos e essas pessoas vivem disso e muitas vezes não podem abrir mão de outros trabalhos para participar de um curta. Claro, tem também os que não gostam, mas deixemos eles de fora... eles tem esse direito...
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Penso muito, tenho uns dois roteiros que quero filmar mas sempre acabo esbarrando com o problema do financiamento. Cinema é muito caro e se o roteiro do seu curta requer um pouco mais de produção você acaba ficando fora do valor dos editais. Não é justo que quem queira fazer um curta tenha sempre que pensar em ideias sem muita produção (salvo de alguns poucos curtas que conseguiram mais dinheiro), isso é um grande limitador.

terça-feira, 15 de abril de 2014

R.F.Lucchetti: Memória Cinematográfica




Graças ao seu roteirista, o lendario R.L.Lucchetti, ‘O Segredo da Múmia’ foi adaptado para os quadrinhos, com desenhos do fabuloso Rodolfo Zalla, sendo lançada simultaneamente ao filme, em 1982.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

André Fusko

 
Ator. Protagonizou a série ‘Unidos do Livramento’ na TV Cultura. Atuou também na telenovela ‘Escrava Isaura’, na Rede Record.
 
O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Bom roteiro e profissionalismo da equipe. Existem algumas pessoas que fazem curta-metragem de forma descompromissada.
 
Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Não existe o costume em nossa cultura de assistir os curtas. Normalmente o público é de estudantes de cinema ou pessoas envolvidas com o entretenimento. Acho que é isso. Quando procuro curtas em uma Locadora não encontro variedade nem qualidade.
 
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Divulgação. Revistas, informes publicitários em televisão, Jornais, cadernos de Cultura etc. Assim como Teatro e Cinema. O que não se divulga não é procurado. Sou contra a obrigatoriedade, por exemplo, antes de um longa-metragem. Não se pode obrigar, isto gera uma indisposição por parte do espectador.
 
É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Acho difícil sobreviver só produzindo curtas, a não ser em publicidade. Muitas vezes os curtas são a oportunidade de fazer algo com mais liberdade artística do que se faz para sobreviver. Mas não deixa de ser uma escola para depois se fazer um longa-metragem. 
 
O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Não sei responder. Sou ator e produtor de teatro, não percebo este tipo de preconceito. Talvez se fosse diretor de cinema saberia dizer.
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Já fiz alguns caseiros editando no meu Mac e captando imagem em celular. Adorei. Tenho muitas ideias, mas como médico, autor de teatro, produtor de teatro, ator, diretor de teatro... não sobra muito tempo!

sábado, 12 de abril de 2014

Os Curtos Filmes no Facebook


Curtam a página do blog Os Curtos Filmes no Facebook.

O atalho é esse aqui: https://www.facebook.com/pages/Os-Curtos-Filmes/559046997505282?fref=ts

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Guilherme Pereira

 
Cineasta. Entre os seus trabalhos de maior destaque estão cos curtas-metragens ‘Além da cura’; ‘Em outros olhos’ e ‘Camile’.
 
O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
O curta funciona como uma porta de entrada para a realização de longas-metragens. Como ainda sou novo e nenhum produtor confia tanta grana em mim, o caminho mais fácil para eu mostrar minha capacidade é através de um curta. Fora isso, o fato de que estou cursando faculdade de cinema contribuí diretamente para minhas produções, tendo em vista que a maioria dos trabalhos de conclusão de trimestre são produções em curta-metragem.
 
Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Creio eu porque eles são praticamente impossíveis de serem vistos. Pra você assistir a um curta, você tem que procurá-lo, ele não vai estar passando na TV pra você assistir, ele não vai estar passando no cinema próximo de sua casa, ele não vai estar disponível para locação na locadora da esquina. Como você espera que um jornal reserve um espaço para falar de um curta sendo que ele não é acessível para o grande público?
 
Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Acredito que deveria existir alguma lei em que seja obrigatório a exibição de um curta-metragem nas salas de cinema antes do longa. E  esse antes é exatamente antes do filme e depois dos comerciais e trailers.
 
É possível ser um cineasta só de curta-metragem? Vemos que o curta é sempre um trampolim para fazer um longa...
Não é possível ser um cineasta só de curtas. Curtas só dão despesas e raramente geram lucros. Você pode ser contratado para dirigir um longa porque mostrou competência em seu curta, mas é raro você gerar lucro somente com curtas.
 
O curta-metragem é marginalizado entre os próprios cineastas?
Nem um pouco. Todo grande cineasta já fez um curta, e grande parte deles ainda fazem. O curta é uma maneira de você experimentar novas técnicas de narrativa e estilo, para ver se funciona.
 
Pensa em dirigir um curta futuramente?
Não só penso, mas como vou. Já estou na fase de pré-produção do meu mais novo projeto.