terça-feira, 30 de junho de 2015

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Eu, Atriz - Nathália Lorda


DESPEDIDA

Oi São Paulo, preciso te dizer uma coisa, estou me mudando, indo embora. É estou indo embora do Brasil. Estou deixando pra trás uma vida muito bacana e também muito pouco tranquila que você me deu. Estou cansada de suas loucuras, sua gente que quer ganhar sempre mais, sua sujeira, sua desumanidade, sua violência latente, seu pouco caso com a cultura, sua crueldade para sobreviver, seus preços de primeiro mundo. E aquele blá blá bla que todo mundo que mora aqui repete e já sabe de cor. Mas olha só, eu não estou com raiva de você, pelo contrário... Queria te agradecer. Agradeço esse ritmo frenético que você tem que me fez construir, correr atrás de meus sonhos e querer fazer sempre mais. Agradeço sua instabilidade em todos os sentidos que me fez ter jogo de cintura para desapegar e recomeçar sempre. Agradeço seus prédios, sua bagunça, esse eterno destruir, reformar e construir, onde nada permanece fixo, nada fica pra sempre, tudo se renova, assim como nossa personalidade...  Agradeço essa ideia de que nada é suficiente, que se pode criar sempre, crescer, inventar (às vezes coisas mirabolantes...). Agradeço por não ter me deixado nunca num estado confortável, essa comodidade que transforma a gente em autômato, que faz a gente morrer um pouco em vida... Sim, você com todos seus problemas força que a gente permaneça vivo o tempo todo... Não, não estou com raiva de você nem do Brasil. Ok, vocês são complicados, contraditórios, incompreensíveis, chatos e ás vezes insuportáveis. Mas quem não é, não é mesmo? Nada que é vivo permanece no mundo da Disney, tipo tudo sempre alegre e feliz, essa alegria falsa e passageira. Levarei para sempre comigo essa diversidade de rostos, tribos, raças, opções sexuais, religiosas e de vida. Sua gente interessante, criativa, boa, simpática, também insensível e fria, rica, bem humorada, sua pequena classe média, seus excluídos e, como diz Caetano, essa deselegância discreta. Mas acontece que às vezes, veja se me entende, a gente muda e precisa partir, precisa descobrir o novo e reencontrar sua gente. Precisa de calma, de amor e natureza. De um pouco de estabilidade e beleza. Delicadeza. A gente vai envelhecendo e muita coisa muda. A gente também encontra gente que faz a gente mudar, querer se transformar. E eu gosto dessa dança. No momento é isso que faz sentido pra mim. Então, eu gosto de me sentir viva... O que você me deu está na minha maré interna pra sempre, mas quando a lua muda é preciso transitar por aí, sentir outros ventos... Acho que você entenderá, na verdade nem sei se liga muito, tão ocupado sempre...  Mas então eu gostaria de te dizer assim, veja se melhora um pouco, trate bem sua gente, olhe por ela, porque quando eu voltar pra te ver, matar saudades, gostaria de te ver renovado (porque cá entre nós você vem se repetindo já há um tempo... está todo mundo reclamando).  Também diga ao Brasil, minha pátria adotiva, que serei sempre grata por ter acolhido minha família quando fomos banidos de nossa própria terra. Que o amo imensamente por sua natureza misteriosamente bela e sua alma verdadeiramente alegre e afável, por todas as estórias que vivi, as pessoas que conheci, os amores que senti e por ter me feito esta pessoa que sou hoje... Levo todos os seus santos, orixás, seus sabores, suas festas e ardores, suas injustiças e esse povo bom. Agora bem, estou indo.  Acho que isso eu peguei um pouco daqui, essa mania herdada dos portugueses de viajar e estar sempre em movimento. E de você SP, eu herdei a inquietação e curiosidade constantes. Espero que você abençoe a minha ida e me deseje o melhor. Você me deu tudo o que sou, tudo o que procurei, tudo o que experimentei, mesmo que não tenha sido exatamente fácil. Você sabe, estaremos em contato, mesmo que demore um pouco, porque grandes amigos de verdade a gente nunca perde, por mais malucos que eles pareçam e por mais distantes que pareça que eles estejam. Então é isto SP, eu vou... Fique bem, você estará sempre em meu coração. Tchau. Evoé!

Nathália Lorda é atriz, diretora de Teatro e professora de Comunicação. 

sábado, 27 de junho de 2015

Conversações com R.F.Lucchetti


Tive a magnífica alegria de ter um trabalho avaliado pelo mestre Mario Bresighello. A resenha de "Conversações com R.F.Lucchetti" foi publicada na edição de hoje, 27/06/2015, do Guia de Livros do jornal Folha de S.Paulo. Não tenho palavras para dimensionar a felicidade que senti ao ler a avaliação. Cotação máxima para um trabalho que uniu paixão, garra, generosidade e determinação de todos os envolvidos neste livro. Muito agradecido a todos!

Esther Hamburger


Esther Hamburger é Professora Associada III do Dept de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. É doutora em Antropologia pela Universidade de Chicago, com pós doutoramento na Universidade do Texas, Austin. É autora do livro O Brasil Antenado: A Sociedade da Novela, de inúmeros capítulos em coletâneas, e artigos em revistas especializadas e jornais da imprensa diária. Atua na confluência dos Estudos de Cinema e Televisão, Antropologia e Jornalismo na abordagem de temas como: crítica, indústria cultural, teoria e história do audiovisual, desigualdade social, relações de gênero na televisão e no cinema. Pesquisas em andamento incluem o filme Fábula de Arne Sucksdorff e o arquivo da extinta TV TUPI de S.Paulo. Foi professora visitante na Universidade de Michigan, Chefe do Dept de Cinema Radio e TV da ECA e diretora do CINUSP Paulo Emílio. Atualmente é Vice-diretora do CINUSP e Coordenadora do Laboratório de Investigação e Crítica Audiovisual (LAICA, CTR). 

Eu não sou propriamente uma produtora de curtas-metragens. Enquanto fui chefe do Departamento de Cinema Rádio e TV da USP, fui responsável pela produção dos curtas dos alunos do curso superior do audiovisual. Minha experiência é mais como crítica e professora de teoria e história.

Acho que o curta-metragem está mudando de papel porque com a diversificação das mídias o formato curta ganha agilidade de exibição, versatilidade de circulação. Mas ele é também uma escala a caminho do longa-metragem. Muitas vezes realizadores fazem muitos curtas antes de fazer um longa. As janelas para exibição de curtas aumentam com a internet. Acho também interessante a exibição de curtas nos cinemas antes de longas. Há também sessões especializadas em curtas.

Não há receita para vencer. Ser ousado e ir fundo no que sente e acredita, pesquisar os assuntos, lugares, pessoas, personagens que inspiram um filme é sempre um bom começo. Não subestimar o público. Realizar coisas que sejam significativas para quem faz é um ótimo caminho para estabelecer contato com espectadores.

Duda Ribeiro


Ator. Atuou nas telenovelas “Salve Jorge”; “Caminho das Índias”; “Pecado Capital”; “Barriga de Aluguel”; entre outras.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Para me exercitar, para fazer cinema, na linguagem do cinema.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Já fiz uns seis curtas e gosto muito porque em todos fui protagonista e isso me deu a possibilidade de ter mais cenas, de participar mais do roteiro, de estar contando uma história inteira.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Essa pergunta é difícil de responder. hoje já temos alguns canais de tevê que passam os curtas. Penso que é preciso também educar o público para isso. Mas não podemos esquecer dos festivais que estão ai para apresentar o trabalho dos novos profissionais

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Antigamente passava-se antes dos filmes no cinema, mas a qualidade das história, na minha opinião não era boa, o que desagradava a maioria no cinema. Importante é ter critério para escolher o que são bons e depois, quem sabe ter um dia inteiro só para exibição em alguns cinemas da cidade.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Com certeza. Os profissionais estão livres no processo para mostrar seus trabalhos e experimentar novas linguagens.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa? 
Sim com certeza.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Merecimento, competência, suor e perseverança.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sabe que nunca pensei sobre isso porque quero aprender mais a arte de interpretar nessa linguagem. Já dirigi muito coisa para TV, mas cinema... Quem sabe?

Isley Clare


Atriz formada pela CAL e tablado, atualmente faz parte da Companhia Fodidos Privilegiados, tendo atuado em mais de 20 peças, destacando O Casamento” e “Escravas do Amor”.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Como atriz, adoro estar trabalhando, desde que se tenha um bom personagem e uma boa história a ser contada. Os curtas são mais fáceis de serem produzidos, tendo um bom roteiro e um equipamento, dá para se divertir bastante. É um ótimo exercício para o ator!

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Na verdade fiz poucos curtas e todos de forma amadora, com estudantes de cinema, que estavam experimentando. Tudo era um pouco improvisado, não tínhamos verba, as locações eram na casa de amigos, os figurinos, nós mesmos levávamos. O que havia era a vontade de fazer bem feito, o sonho de ir para festivais e na hora do "ação", tudo era levado muito a sério!

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acredito que tenha pouco mercado para os curtas. Antigamente antes de um longa-metragem, era exibido um curta-metragem, hoje esse espaço é preenchido com propagandas... não vejo interesse em investir em curtas. Falta um espaço direcionado para eles, também não há uma formação de plateia para curtas e os jornais consequentemente não se interessam, não criam espaço.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
O que poderia se tentar fazer é criar algumas estratégias de marketing, algo que chamasse a atenção da mídia para os curtas e estimulasse o público a ir a uma sessão só de curtas. Alguns nos atrás foi feito no Odeon uma mostra de curtas, onde era oferecido ao público a quantia de 1 real que dava direito a assistir a uma sessão e em cada eram exibidos uns seis curtas. Pesquisas nesse sentido e de incentivo a investidores talvez surtisse algum efeito e a partir daí poderiam até surgir salas de só exibição de curtas, etc.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Acredito que sim, por serem mais fáceis de serem produzidos, pode se experimentar mais. Criar muitos roteiros e sair filmando. Teve uma época da minha vida que ia a praia com um amigo que hoje é cineasta e ficávamos horas inventando, criando roteiros de curtas. Imaginávamos várias histórias e era divertidíssimo! Por ser publicitária, além de atriz e filha de escritora, sempre tive muita facilidade nos diálogos, em criar as cenas, era muito bom, mas nunca chegamos a por em prática... uma pena!

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Talvez... começa-se com uma pequena história, vai experimentando, até que, um dia, ousa-se mais. Pode também ser uma boa vitrine. Mas a palavra trampolim remete a algo que se faz para alcançar outro e não acredito muito em estratégias nesse sentido e sim em trabalho bem feito. Tudo que se faz com vontade, com garra, pode gerar um trampolim automaticamente.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Ter uma boa ideia, um bom roteiro e se aliar a profissionais competentes ajuda bastante. Conseguir investidores também. Mas, na arte ou na vida, o mais importante é ter perseverança e não desistir de seus sonhos nunca!

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Primeiro sempre penso em atuar, mas, como também adoro escrever, e, no ano passado, escrevi um curta que me emocionou bastante, me passou essa ideia na cabeça... quem sabe?! (risos)

Dafne Michellepis


Professora. É integrante do “Balangandança Cia.”,  companhia de dança contemporânea para crianças.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Depende de alguns fatores. Primeiramente preciso estar disponível nas datas previstas e curtir a proposta. Confesso que gosto de produções que apontem alguma causa, mas sem ser “chatonildo” no tom. Assuntos relacionados às questões ambientais, sociais e culturais me interessam. Um humor cai bem, mas não sou cômica nem dramática. Geralmente quem me chama é porque me conhece e imagina como vou pontuar as ações.

Se sentir algum elo que me dê a faísca interna, uma espécie de empatia por alguma característica da personagem e/ou da história, já é meio caminho andado. Isto porque minha formação profissional acadêmica provém das artes corporais e não das artes cênicas, logo se a princípio eu não me identificar e precisar dedicar tempo extra em laboratórios para construir a cena, tendo a recuar. Meu embasamento para trabalhar atuando é mais intuitivo do que técnico, logo uso o bom senso para decidir se realmente sou eu quem devo me apropriar do papel.

A confiança nos profissionais envolvidos também é fator determinante, principalmente no que diz respeito aos “cabeça de chave”: Roteirista, Diretor e Fotógrafo. O cachê nunca foi um fator determinante, pois os orçamentos são sempre pequenos e encaro minha participação em jobs assim como um aprendizado. Não é minha fonte de renda.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Pensando em quantidade, tenho pouca experiência, mas os anos que trabalhei em produtoras de publicidade, ampliaram meu entendimento em produções deste tipo. Faz-se necessário citar a TVC, dirigida pelo Dodi (Dorian Taterka) que foi uma verdadeira escola para gerações. O primeiro trabalho que “apareci na tela” foi na campanha do Mc Donald’s na Russia, intitulado “Bandeira Vermelha” quando teve a histórica queda do muro de Berlim em 1989. Em 1993, quando me formei na Unicamp, queria morar com meu namorado (com quem estou até hoje) e precisava de um salário fixo. Recebi um convite para trabalhar no casting desta produtora. Não gostei pois parecia que tinha que julgar pessoas como material. Purismos de adolescência. Passei rapidamente pela produção e acabei me estabelecendo no departamento de finalização até 1996. Tive a oportunidade de acompanhar peças publicitárias que se tornaram clássicas desde a sua concepção até as tiragens de cópias. Na pré-produção, pesquisava e editava em U-Matic, referências para luz, cenário, figurino e casting, enfim, cenas que tinham haver com o briefing. Nas filmagens fui boom-men, operadora de vídeo assist, “4º” assistente de direção. Na pós, acompanhava o Wilson e o Tamis no telecine e depois, Lucio Matos na moviola. Apesar da minha hipermetropia e astigmatismo, era ótima em detectar drop frame. Toda esta vivência, faz parte da minha experiência com filmes.

Porém percebi que quando estava envolvida com a produção, não conseguia atuar bem. Fazia os testes de VT, mas não era aprovada. O olhar muito crítico, me fazia perder o foco e a credibilidade na interpretação. Quando decidi voltar a dançar, consegui voltar a interpretar.

Acredito, no entanto, que quanto mais situado o ator está no set, sua contribuição agiliza as filmagens, onde, por mais que os diretores se esforcem para assegurar um ambiente leve e tranquilo, há sempre uma tensão no ar. É como um aeroporto: maquiagens e aquela sensação de clareza no ar camuflam o monitoramento militar e um estado de constante alerta eminente. No set isto pode se dar pelo tempo da locação, pela instabilidade de luz em externas, pela equipe dos maquinistas que acorda muito cedo e deve estar bem afinada durante toda diária, pela quantidade de material disponível para rodar (houve um tempo que se filmava em película e negativo não tinha back up nem era barato) e questões decorrentes de problemas de comunicação ou entendimento de alguma consignia, enfim, uma série de pequenos detalhes que podem vir a comprometer a fluência deste tipo de trabalho em equipe.

Agora, falando especificamente da minha experiência com curtas, tive o prazer de trabalhar em roteiros escritos por José Roberto Torero e dirigidos pela Dainara Toffoli, como no Documentário sobre a vida do sanitarista “Oswaldo Cruz”, 1997 que faz parte da série de DVDs Encontros do Itaú Cultural sobre artistas e outras personalidades da história do Brasil e na série “Somos 1 só”, Sesc TV em 2011, que abordou as relações do homem com o meio ambiente.

Outro trabalho: “Retrovisor” foi um curta escrito e dirigido por Eliane Coster e fotografado por Jay Yamashita. O curta participou de Mostras e Festival no Brasil e no exterior. Minha atuação foi pequena, mas a inspiração proveio de fatos reais. Eliane havia feito fotos com carroceiros e uma família específica foi decisiva para a realização desta obra. Pelo que me lembro, ela contou que a relação entre pais e filhos chamaram sua atenção devido ao esforço para levar na escola, alimentar e estimular a autonomia para a sobrevivência. Por coincidência, na mesma época do ensaio fotográfico saiu a notícia do aumento de 25% no número de menores trabalhando nas ruas em SP.

De alguma forma, busco sempre a verdade nos trabalhos que faço.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Apenas divagando em pensamentos, penso basicamente que é porque infelizmente não faz parte da nossa cultura. Será que a herança da retórica lusitana na mistura com os nativos, enraizou de tal forma que não conseguimos incorporar o formato dos curtas?

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Nas escolas onde trabalho, sessões de curtas permeiam os espaços. As crianças tem contato tanto como suporte para discussões de temas relacionados as séries, como em momentos de descanso. Algumas instituições realizam mini mostras regulares como “Curta no Intervalo”. Quando meus filhos traziam dicas de curtas legais que viram na Escola, eu me realizava.

Antigamente era obrigatória a exibição de curtas antes do filme nos cinemas, confere? Me lembro dos primeiros contatos com este “tipo de filme” ser assim. Me indagava: “- Está começando o filme ou essa história é outra?”. Quando me via totalmente absorvida, puff, acabava. As vezes a lembrança do curta ficava mais presente que a do filme principal.
Hoje temos uma série de tele mídias em painéis de LED espalhados pela cidade. Deveria passar em locais de acesso público como em ônibus, no metrô, nos Shoppings, nas filas de espera de banco e por aí afora.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Sim, sem dúvida, mas a vida deveria ser sempre assim. Neste caso, talvez o fato de nas produções de curtas ter-se que administrar orçamentos mais enxutos em relação as produções comerciais de publicidade ou de longas, amplia a margem da liberdade para experimentação, que é, a meu ver, um estado de consciência.

Após ter participado do  processo criativo do espetáculo “Dança em Jogo”, com a Balangandança Cia., onde tudo era improvisado (coreografias, dramaturgia, momento de trocas de figurinos, textos, músicas, etc) constatei que só quando nos permitimos estar de corpo e alma em situações assim é que nos desenvolvemos enquanto seres humanos.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
No geral, isto é o que acontece. Imagino que ele seja funcionalmente como um “test drive”, uma prévia, um aquecimento que seleciona quem encara a produção de um longa. Mas prefiro não pensar nos curtas como um estágio, mas sim como um formato específico. Ele tem o poder de sintetizar sem perder a profundidade. Se a publicidade é Haikai, o longa é Novela e o curta-metragem é um conto.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
De verdade não me sinto apta a responder esta pergunta, mas sigo divagando. A gente precisa vencer em tantos outros quesitos antes… O Brasil ainda não entende a dimensão da importância do desenvolvimento cultural para o país. Seu alcance, suas consequências…

Suponho que não deve haver uma receita. Nem os nutricionistas acreditam que fornecer receitas ajudem a garantir a força do hábito. Quando participei de Congressos Internacionais de Dança e Educação (Daci_Unesco) na Austrália, Finlândia e Holanda, aprendi observando a maneira como cada cultura lidava com as circunstâncias favoráveis e desfavoráveis de seus contextos, mas que era inócuo tentar reproduzir diretamente as experiências bem sucedidas dos outros lugares para o Brasil. Mesmo em se tratando de uma Conferência onde algumas dicas e receitas eram fornecidas, na prática não funcionavam como aplicativos para nossa realidade nacional.

O mesmo penso para com o audiovisual. Talvez o caminho a ser trilhado seja agora o de se firmar a identidade contemporânea brasileira no mundo globalizado e…cultivar. Cultivar o que é orgânico para si, ou seja, o que te comove e te dá vontade de realizar, investigar, aperfeiçoar e passar adiante. Em outras palavras, o que se quer comunicar. Acreditar, confiar e não esmorecer diante dos obstáculos. Cultivar a liberdade de pensamento que anda junto com a liberdade de ação.

Onde este discurso quase piegas pode ter haver com o audiovisual brasileiro? No sentido de que sinto a sociedade cada vez menos humanizada e os meios de comunicação, oprimindo os comunicadores. Neste caso vencer é se manter íntegro, coerente e saber se adaptar as demandas, sem sucumbir, sem se perder dos princípios.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Profissionalmente, fiz apenas um vídeo dança com Kiko Ribeiro intitulado “Pé de Moleque”, sobre a argumentação do espetáculo de dança contemporânea para crianças “Roda pé” da Balangandança Cia. A pesquisa do companhia para a montage cênica do espetáculo foi do pé como gerador de movimento, sua presença nas danças brasileiras de sapateio do Sul e Sudeste, expressões idiomáticas que envolvem esta parte do corpo (“pé na tábua”, “pé direito”, “pé de vento”) e a relação entre ambiente urbano e rural. Para filmar, passamos por uma seleção pós workshop intensivo com a cineasta canadense Laura Taler. Fomos contemplados no Rumos Dança Itaú Cultural em 2004 e depois com patrocínio da Usina Filmes, Brasília e da Petrobrás, reeditei o material bruto na Elástica Filmes da Tatiana Toffoli, ganhando assim no título de “Em outro pé”.

Gostaria de participar de produções que, assim como esta, abordassem temas que pesquiso nesta companhia. Dirigida por Geórgia Lengos, uma visionária do universo infantil, o grupo existe há 16 anos e desenvolve pesquisa na linguagem de dança contemporânea para crianças, através de uma série de ações: espetáculos, workshops, Fóruns, palestras, intervenções, blogs, entre outros.  Meu desejo seria relacionar de forma lúdica e artística, abordagens do desenvolvimento cognitivo em paralelo ao sensório motor da criança, bem como o recheio da poética dos seus movimentos, mas acho que não gostaria de dirigir. Amo ser dirigida!

Se tiver curiosidade em saber mais sobre a Balangandança, acesse: http://balangandanca.wordpress.com/ e http://dancaemjogo.wordpress.com/

Uma mostra dos meus trabalhos na rede estão em Entre takes, blog no wordpress:

Rogério Barros


Ator e cineasta. No cinema dirigiu “Antes do Galo”; “Golpe Baixo” e “O que muitas mulheres fazem de graça algumas cobram”. Dirigiu também o documentário “Pipa – a esquina magnética do Brasil”.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
O que me faz participar de qualquer produção cinematográfica, seja curta-metragem, longa-metragem, independente ou não, costuma ser a identificação com o personagem, acreditar que o personagem exista em mim.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Fiz alguns curtas que nunca nem vi finalizado, outros tiveram carreiras em festivais e mostras, mas normalmente são produções que envolvem profissionais em inicio de carreira, o que faz necessário ter paciência no set e estar disponível a improvisar, tanto em adaptações do roteiro, como nas locações (bastante comum locações em curtas-metragens independentes serem lugares públicos sem autorização que nada se parece com um set de filmagem) e figurino (muitas produções usam como figurino as roupas do próprio ator).

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Os curtas independentes passam, na sua maioria, longe da mídia, por não terem patrocínio. Já produções realizadas através de editais públicos ou patrocinados por iniciativa privada, tem normalmente uma verba própria destinada a divulgação na mídia como contrapartida do valor investido.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Penso que as salas de cinema deveriam exibir curtas premiados antes de cada sessão de longas. Assim não só se criaria uma ponte entre o publico de cinema e os realizadores de curtas metragens, como também se incrementaria o fomento Sendo os realizadores reconhecidos pelo grande publico facilitaria a entrada dos mesmos de no mercado de audiovisual. Já foi feito isso ha alguns anos, mas assim como tudo que não gera lucro em nosso sistema, a tendência é acabar no abandono.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Acredito que a liberdade na experimentação é sempre o único caminho a ser seguido em todas as formas de arte, seja ela independente ou não. Quando o artista tem sua obra cerceada pela censura ou por quem a patrocina, ela deixa de ser uma obra de arte, que se entende como fruto da expressão subjetiva do autor. Uma obra de arte não pode visar nem mesmo o lucro, ela não pode ter objetivos que não sejam a expressão máxima e total de quem a cria. O artista deve ter autonomia total sobre sua obra. A fim de gerar identificação pura e original com seu publico.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Um curta-metragem pode ser ou não um caminho para se chegar a um longa-metragem. Isso depende muito do talento e perseverança de cada realizador. Porem, o que normalmente se vê, é que dificilmente se chega a filmar um longa-metragem sem ter passado por alguns curtas. Nos curtas se aperfeiçoa a tarefa de dirigir atores e toda equipe. Se entende como decupar roteiros e se exercita a montagem, o que em ultima analise é onde o filme nasce.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Se eu tivesse alguma receita com certeza eu a venderia.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Realizei curtas, documentários e clipes, todos independentes. Tiveram carreiras em festivais e mostras pelo Brasil. Pretendo sempre experimentar historias através das imagens em movimento. Me interesso muito por ficção, estimular a imaginação da plateia. Tenho seis roteiros de curtas acabados, e um roteiro piloto de um sitcom, mas quando se roda curtas independentes investe-se dinheiro do próprio bolso ou se arruma parceiros que acreditem na historia e topem trabalhar de graça. Gosto da independência e autonomia ao contar uma historia, e normalmente uso o dinheiro que ganho como ator em teatro e tevê para realizar meus trabalhos. Pretendo também produzir obras com verba publica ou privada, poder viver a experiência de cumprir com datas e burocracias envolvidas quando se cria com dinheiro de patrocínio. Também sou fotógrafo, vendo minhas fotografias através de exposições organizadas pelo meu marchand. Busco na fotografia o exercício de observar a beleza nos objetos mais simples do dia a dia.

Mabel Cezar


Atriz e dubladora. É dela a voz da “Luluzinha”, do desenho animado. Também dublou personagens em "Esmeralda", "Rebelde", "A usurpadora", entre outras. No "Toy story" fez a Jessie, e a voz da Mary Poppins na redublagem. Em todos os filmes das atrizes Catherine Zeta-Jones e Eva Longoria, é Mabel que faz a voz.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Vários fatores: gostar demais do roteiro, confiar na direção, ter um desafio como atriz e a paixão por fazer cinema!

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Os primeiros convites vieram de estudantes de cinema da PUC . Depois, parece que a minha "fama" de gostar de fazer curtas se espalhou, (risos), e mais convites surgiram. E pra completar, minha caçula, na época com 9 anos, protagonizou um curta-metragem.

A família toda gosta! (risos).

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Vários fatores, mas acredito que o maior motivo seja econômico. Quem está com o dinheiro na mão, manda na mídia.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Exibir um curta antes de cada longa no cinema seria ótimo! Ter um horário na TV aberta , nem que fosse de madrugada.  Ser disponibilizados nas escolas, dessa forma, formaríamos apreciadores e futuros profissionais da área.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Acredito que sim! Com o orçamentos e prazos mais curtos, nos arriscamos mais! (risos).

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Não, necessariamente. Mas é fato que ao fazer curtas, nos tornamos mais seguros e com mais experiência. E criamos coragem e bagagem pra alçar voos mais altos.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
(risos)... Não tenho mesmo essa resposta!!!

Pensa em dirigir um curta futuramente?
A principio isso nunca me passou pela cabeça. Mas como sou grande apreciadora, fico muito tentada!

Renato Papa


Ator. Atuou no curta-metragem “Desatino”, dirigido por Dimas de Oliveira Jr.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Faria o trabalho dependendo de onde esse trabalho poderia chegar, um bom texto, direção, edição, personagem...

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Fiz poucos curtas, mas foram ótimas experiências, conheci pessoas interessantes, roteiristas, atores, pessoas apaixonadas pela arte e também tive a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o outro lado.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acredito que pela forma que se apresentam, acho que tem interesse e mercado sim, mas precisamos elevar o nível, o povo brasileiro infelizmente está se acostumado a ver lixo, com o crescimento de cinema nacional, podemos mudar isso... elevar o nível das produções, com bons roteiros, diretores, atores.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Eu acho que o publico adoraria assistir um bom curta, antes de um trailer de cinema... O próprio nome já diz... Curta, e temos que curtir mesmo... imagina que gostoso, antes do filme começar, o cinema lotado, são aproximadamente 15 mim de trailer, propagandas etc... porque não colocar um curta-metragem???

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
O teatro, o cinema, a TV para qualquer profissional da área é um grande campo de liberdade para experimentação.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Eu não vejo dessa forma, claro que um bom curta, você aprende a se localizar no espaço cinematográfico, mas isso não credencia você para tal. Pode ser considerado como uma escola.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Primeiro uma politica mais justa, tirar a verba das mãos dos mesmo, investir em infra, em conhecimento técnico, ter uma visão de "indústria audiovisual" assim como os EUA, a Argentina, Itália, França, Espanha e tantos outros fazem. Isso não é difícil, se pegarmos o exemplo do vôlei brasileiro, era falido nos anos 70 e 80, mas houve a mudança de filosofia e hoje é diferente, demoramos, mas estamos fazendo o mesmo com o Basquete, porque não levarmos essa filosofia para todos os cantos, arte, lazer, cultura, esporte.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sim, certamente!!!

segunda-feira, 22 de junho de 2015

interrogAção


Nicole Puzzi, entre tantas atrizes que passaram ou marcaram a época do cinema da Boca do Lixo, foi eleita pelo público a grande atriz que ali passou. É o nome feminino mais associado e lembrado quando se fala deste belo período da nossa filmografia.

Beth Goulart


Atriz. Atuou em “Joelma 23º Andar”; “Eternamente Pagu”; “Carlota Joaquina - Princesa do Brazil”; “A Hora Marcada”; “Amores Possíveis”; entre outros.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?   
O que mais interessa é a criatividade da proposta e da linguagem do cineasta. Sabemos que é difícil produzir cinema no Brasil, normalmente as novas ideias começam em pequenas produções para depois alçarem voos mais altos. Quando aceitamos participar de curtas damos a nossa contribuição para que novos cineastas surjam no cenário cinematográfico brasileiro.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.   
Participei de poucas produções em curta metragem. Fiz "Noturno" de Pompeu Aguiar um projeto de pesquisa de linguagem feito em câmera digital e depois de finalizado transcodificado para película, uma das possibilidades de produção mais baratas mas que tem um resultado muito bom.  Filmamos tudo em dois ou três dias.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?   
Acho que o problema é o pouco espaço que os jornais dão para a cultura de maneira geral. Se os longas tem pouco espaço imagina os curtas. O maior meio de divulgação para o cinema em geral e para os curtas é o Canal Brasil que não só divulga como passa curtas-metragens em sua programação. Sinto falta da época em que assistíamos a um curta-metragem antes do filme principal nos cinemas. 

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?   
Acho que nos cinemas antes das exibições para pegar um número maior de público e na televisão para pegar o público aberto a novidades. Acho que a internet também deve ser explorada em sites específicos.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?   
É a primeira opção para um criador. É no curta que as ideias florescem com mais liberdade e com menos cobrança de resultados comerciais, já que a produção também é mais modesta e o campo criativo é mais explorado.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Sem dúvida nenhuma, até a lei de captação só permite produtoras que tenham produzido pelo menos um curta-metragem em seu currículo. Acho que é um teste de eficiência em termos de produção e criação do produto audiovisual.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?   
Criatividade, ousadia e eficiência. Só uma boa ideia não basta, é preciso que essa ideia seja bem realizada.

Pensa em dirigir um curta futuramente?   
Claro que sim, sempre tenho projetos!! Cinema é uma de minhas grandes paixões, mas é preciso paciência para aguardar o momento certo e levantar uma produção em cinema. O cinema pede mais tempo em todo o seu processo.

Úrsula Corona


Atriz. Na televisão atuou em “O Astro”; “Malhação”; “Sítio do Pica-Pau Amarelo”; “Amor em 4 Atos”; “O Quinto dos Infernos”.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
O que me abraça primeiro é o roteiro; uma boa história me faz querer estar junto para contar e viver o personagem. Outro fator que conta é o estimulo a nossa produção nacional. E o curta-metragem oferece a possibilidade de realização com o orçamento variável, apoios, estimulando a câmera na mão e a ideia na cabeça. Hoje temos produções nacionais de produção alta e baixa.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Sempre um grande aprendizado, dedicação e satisfação. Gosto muito e quero sempre mais.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acredito ser uma questão de tempo, de percepção e entendimento da mídia que o curta vem ganhando a cada ano mais respeito. Mas as mídias sociais estão agregando também com a divulgação. Sinceramente respeito muito a internet, e neste caso ela soma bastante para a divulgação, talvez até mais. O mundo mudou e a internet tem esta velocidade e alcance. Basta usarmos com propriedade, objetivo e seriedade.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Como um comercial, entre programações, antes de espetáculos teatrais, voltar a s exibido no cinema antes do longa-metragem, e até um programa de curtas. Está aí um programa que gostaria de apresentar.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Com certeza!

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Pode ser. Não há regra. Tudo depende do foco, meta e trabalho.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Acredito ser a originalidade. Passei um ano fora depois de fazer “O Astro” e pude estudar e trabalhar com equipes de fora. Foi maravilhoso. E o que chamou atenção foi a propriedade e seriedade da equipe com as propostas ousadas. O cinema alemão é sensacional. Os telefilmes são igualmente incríveis. O que sinto falta aqui, são boas ideias, bom roteiro e propriedade no querer e na afinação perfeita da equipe.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Por enquanto não. Mas num futuro mais longo, sim. Já tenho meu roteiro, mas preciso de mais um tempo para amadurece-lo.

Lígia Hsu


Atriz. Atuou no espetáculo “Academia das Eruditas”.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Uma equipe comprometida com o trabalho e um roteiro que me desafie como atriz.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Tenho poucas, porém intensas participações em curtas. Normalmente trabalho com amigos e participo de todo o projeto. Gosto de me envolver em todas as etapas, sempre respeitando o espaço e a criação dos outros.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Ainda não temos uma cultura de curtas no Brasil, estamos engatinhando na produção cinematográfica se compararmos com o que tem sido feito pelo mundo afora e começamos agora a conquistar algum espaço na mídia.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Acredito que a internet é uma ótima ferramenta para alcançar um grande número de pessoas. Não dá pra ficar esperando um festival ou a boa vontade dos exibidores para mostrar o trabalho. Tudo é muito caro, a divulgação não tem o alcance necessário e muitos curtas bacanas acabam não chegando ao público. Pressionar o governo, os exibidores, os formadores de opinião é necessário para se obter um resultado a longo prazo. Mas para quem está com uma produção hoje, é preciso buscar meios não convencionais para ser visto.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Certamente. Pode se dar a dimensão que quiser para um curta e com isso usar e abusar de experimentos que muitas vezes não podem ser feitos num longa por questões comerciais.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa? 
Não diria um trampolim, mas uma escada bem alta, um caminho árduo a ser seguido. O curta te dá a possibilidade de se arriscar mais, de experimentar e consequentemente te dar experiência para um dia fazer um longa. Mas não é condição e nem pré-requisito. E muito menos garantia.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Muita persistência, contatos e organização. É preciso ter o lado artista e o lado empresário bem aguçados e fazer com que um seja incentivo para o outro. 

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Ainda não pensei sobre isso. Como normalmente eu produzo e atuo em meus projetos gosto de ter um olhar de fora através da direção de um outro profissional. Mas ainda tenho muito tempo pela frente e acredito que a vontade de dirigir um curta venha naturalmente.

Anja Bittencourt


Atriz. Atuou nas telenovelas “Amor Eterno Amor”; “O Astro”; “Insensato Coração”; “Passione”; “Negócio da China”; entre outros.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Aceito porque é sempre uma oportunidade de exercitar meu trabalho de atriz e porque amo fazer cinema.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Como sou professora do curso de cinema da Estácio, acabo recebendo convites dos alunos que estão fazendo seus curtas de final de faculdade e também de alguns amigos cineastas. Participo sempre com muita disponibilidade ( senão não aceito!) e me coloco nas mãos da direção.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Porque não se encaixam no chamado mercado de exibição, o que é uma pena. Apesar da qualidade de nossas produções e o nível elevado dos roteiros, o espaço para o curta ainda é muito limitado e isso se reflete na mídia.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Deveria ser efetiva, atuante. Teríamos que ter um curta sempre antes do longa-metragem. Me parece que existe uma tentativa de obrigatoriedade mas até agora não vi acontecer. Além disso, um número maior de festivais ou mesmo de sessões regulares, talvez num determinado dia da semana, um determinado horário, só para exibição de curtas nas salas de exibição.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Com certeza! Pelo próprio formato, duração e facilidade de produção em relação ao longa-metragem. Embora acredite que a experimentação é opção estética que não se vincula a esta ou aquela mídia.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa? 
De certa forma. Pois pode servir de aprendizado, de preparação para um voo maior. Mas acho que curta é opção pela linguagem. Dessa forma, um cineasta que trabalha com longa pode muito bem optar em contar determinada história no formato do curta.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Essa é uma pergunta difícil de responder! Ser porta voz de algo que seu público alvo está pensando ou sentindo é um caminho aparentemente seguro, me parece. Mas estou longe de saber esta fórmula! (risos).

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sim! Inevitável isso. Trabalhando com cinema há cinco anos, dando aula de Direção de Ator e Prática de Ficção, já me sinto "contaminada" e com vários argumentos fervilhando na cabeça .Essa gestação daqui a pouco se conclui e lá vou eu me aventurar nessa arte.