quarta-feira, 29 de julho de 2015

interrogAção


Valdirene Manna atuou em apenas um filme. Foi em “O Dia do Gato”, produzido na Boca do Lixo de São Paulo, que aquela monumental mulher apareceu pela primeira e última vez na tela do cinema. Não teve tempo para se tornar uma atriz. Sua morte precoce e misteriosa, quando estava trabalhando em seu segundo filme, impossibilitou esse sonho. Sua trajetória é contada aqui, pela primeira vez, pela sua irmã Andréa Manna e depois pelo diretor David Cardoso.

TV Cronópios

O grande Pipol se foi. Sua obra continua. 

Seu legado, gigantesco, está aí, à disposição te todos. Conhecimento não se represa, se compartilha. Esse é o ideal dele, dos sábios.

O Portal Cronópios é a porta da produção, difusão e fruição. Tem cinema, poesia, fotografia, críticas e muitos vídeos. 

segunda-feira, 27 de julho de 2015

R.F.Lucchetti


Em agosto o mestre R.F.Lucchetti irá lançar mais um livro da coleção que leva o seu nome. Vem aí "O Museu dos Horrores". Tenho a honra de assinar a orelha deste belíssimo livro. 

domingo, 26 de julho de 2015

Rafael Spaca


Rafael Spaca, coordenador do projeto “Casa do Cinema Brasileiro” (Editora Laços), fala ao Canal Brasil sobre a proposta de resgatar a história através do ponto de vista de quem participou dos principais movimentos culturais. “A Boca de São Paulo” é o primeiro desta leva.

Acessem: http://canalbrasil.globo.com/programas/cinejornal/videos/4339804.html

sábado, 25 de julho de 2015

Yasmim Manaia


Atriz e apresentadora. Apresentou o programa “Zapping Zone”, produção brasileira original do canal Disney Channel.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem.
O amor e, é claro, um bom texto! O curta-metragem é o inicio de tudo, é onde você pode experimentar , aprender e conhecer mais sobre si e sobre o cinema!

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Meu primeiro curta foi quando tinha dezessete anos ! Eu ainda não tinha conhecimento algum sobre cinema e foi em plano-sequência.  "Clichê" foi minha primeira aventura, depois dele me apaixonei pelo cinema!

Em Buenos Aires tive o prazer de conhecer a diretora colombiana Consuelo Guacha, que me convidou para fazer um curta com o ator Eduardo Pelizzari. Tenho um carinho especial por esse curta "Mientras", pois o trabalho da Consuelo e sua equipe ( Carlos Restrepo , Flávia Gomes  e Fabio Porto) foi muito profissional e com um estilo bem diferente! Foi enriquecedor pra mim, principalmente como atriz o cinema colombiano é muito bom! 

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
A cultura em geral tem pouco espaço na mídia!

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Seria muito interessante se tivéssemos pelo menos um dia na semana com exibições gratuitas  dos curtas nos cinemas de todo o Brasil ! Mas com a internet tudo se tornou acessível. Quem tem interesse, basta pesquisar! O lance é semear o interesse do brasileiro pelas pequenas produções.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Com toda certeza! Com um curta é possível experimentar e aprender! Eu sempre digo que há uma fase na vida que só aprendemos quando colocamos a "mão na massa"! O curta-metragem te dá essa possibilidade.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa? 
É o inicio de tudo! Por isso o curta-metragem merece tanto respeito e deve sim ser apoiado por todos! É onde se experimenta e se ganha experiência!

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Não existe receita! Pelo menos eu não conheço! (risos)

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Ainda me falta muita experiência, inclusive de vida! Mas um dia, quem sabe?!

Naloana Lima


Atriz. Atuou no longa-metragem “Trabalhar Cansa” e no curta-metragem “Você já cortou seu cabelo com maquininha?”.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Diversos fatores me fazem aceitar participar de uma produção cinematográfica, sendo um curta ou um longa-metragem. Busco conhecer bem a equipe, o roteiro, os participantes e o personagem que vou atuar. A partir desse "acordo" me coloco a disposição do trabalho.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Bom tive experiências bem distintas, umas amadoras, outras profissionais, gêneros que vão do terror para a comédia, porém uma coisa vem me intrigando enquanto artista-criadora é que por mais que a produção cinematográfica vem crescendo a cada dia, ainda sinto que faltam papéis de consistência histórica para atores negros no Brasil, e isso é lamentável. 

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Não saberia dizer o "porque", afirmo apenas que o Brasil perde com isso. A produção de curtas é potente, diversificada, criativa e infelizmente pouco divulgada e distribuída. 

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
A Televisão é o melhor recurso. A “Tela Digital”, da TV Brasil, fez bem esse papel, mas teria que haver também outros canais dispostos a exibir essa produção. A expansão dos festivais de curtas seria um bom recurso. E ainda faltam salas de exibição espalhadas na cidade. O cinema nacional tem que chegar às periferias e no interior da cidade, o que se vê é uma distribuição apenas de filmes norte-americanos, não sou contra essa distribuição, mas creio que deve haver outras opções dentro de uma cidade como São Paulo. 

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Sim, sem sombra de dúvidas. 

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Acho que sim, muitos diretores de longas-metragens passaram pelo curta, por ser uma produção mais barata, mais rápida também, e depois alguns se lançaram em medias e longas, mas também tem outros diretores-roteiristas que acham que escrever um curta é mais complicado do que um longa-metragem. Então na verdade creio que cada diretor tem o seu caminho dentro do cinema e não que existe uma fórmula única ou um método a seguir. 

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Essa palavra "vencer" é bem complexa. Não acho que vencer é ter seu filme sendo exibido no Oscar ou no Festival de Cannes, ou ter um número gigante de espectadores que te viram no cinema. Acredito que vencer é estar de acordo com a sua produção artística. É crescer com o seu trabalho e dialogar com o mundo a sua volta através da sua obra. 

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Tenho que experimentar um pouco mais a minha atuação para o cinema, eu estou nessa investigação. Ainda não pensei em dirigir um filme, mas também não fecho as portas.

Ben-Hur Prado


Ator e produtor. Atuou no curta-metragem “"Modernice".

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Entre trabalhos amadores e profissionais, lá se vão mais de trinta anos. Dediquei minha vida para o teatro, produzindo e atuando ao longo desses anos, mas sempre muito mais direcionado ao teatro. Minha experiência em cinema, confesso, é bastante pequena, resumida a um curta que foi produzido aqui em Maringá, "Modernice" exibido pela RPC e um longa-metragem, “Momentos Roubados”, que está em fase de finalização.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Devo confessar que adorei fazer esses dois trabalhos, pois me possibilitou exercitar uma linguagem diferente do teatro. No cinema tem cortes, edições e muito recurso técnico, coisa que no teatro não tem, mas também não precisa.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
A falta de interesse da mídia se dá pela própria essência experimental da linguagem cinematográfica, ficando pontuada por festivais e mostras do gênero. O grande público procura sempre pelas grandes produções, de orçamentos grandiosos que alimentam o mercado comercial do setor. Já nos curtas, as produções privilegiam muito mais a linguagem e o experimento do fazer cinematográfico. Infelizmente vemos muito pouco este cinema sendo exibido, pois não desperta o interesse do grande público, situação análoga ao teatro em sua produção alternativa.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Se surgisse um super-herói disposto a implantar salas de exibição exclusivamente para curtas, certamente ele abriria falência. Essa é uma questão universal. Os curtas-metragens nunca tiveram o mesmo espaço que os longas, mas nem por isso perdem sua importância artística.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Sem medo de errar, o curta é de fato um grande instrumento de elaboração profissional tanto pra atores, como pra diretores e editores, testando e aprimorando técnicas para criação de suas histórias. 

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Hoje vemos uma ferramenta importantíssima que vem funcionando como estímulo e novos horizontes para os curtas que é a internet. Ela propicia a visibilidade dessas produções de forma imediata e com baixo custo. Importantes trabalhos, especialmente aos voltados a comédia, tem visualizações fantásticas. Porta dos Fundos, animações, poesia e etc. são exemplos clássicos. Assistimos a um panorama promissor com o advento da internet, com amparo de lei própria para essas produções.

Argumentar que o curta é trampolim pro longa-metragem é bastante relativo, pois sabemos de inúmeros atores e diretores do "cinemão" que se aventuram também em curtas para seus experimentos pessoais.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Só há uma maneira de sair vitorioso na arte, seja no cinema, teatro, televisão... É trabalho. Fazer, fazer e fazer. Exercer o ofício de resistência, perpetuando ideias, sensações e pensamentos que servirão de legado histórico e artístico pra vida. É coisa séria e comprometida que exige muita dedicação e empenho dos profissionais da área.

Pensa em dirigir um curta?
Não me sinto capaz.

Henrique Schafer


Ator. O espetáculo teatral “O Porco”, que protagoniza, foi indicado ao Prêmio Shell de Melhor Ator em 2005. No cinema atuou nos longas "O Contador de Histórias", de Luiz Villaça; "Augustas", dirigido por Francisco César Filho e "O Que se Move", de Caetano Gotardo. Atuou também nos curtas "L", de Thais Fujinaga; "As Aventuras de um Homem Invisível", dirigido por Maria de Medeiros (compõe o longa "Mundo invisível" que reúne grandes diretores como Manoel de Oliveira, Theo Angelopoulos, Win Wenders ); "A Caminho de Casa", de Renata Terra e Paula Szutan; e "Coisas Fragéis", de Celso Duvechi e dirigido por Gustavo Fattori e Tatiana Otaka.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
É cinema! Não são muitas as oportunidades para um ator como eu fazer cinema. E, como tudo na vida, só se aprende com exercícios. A vida é isso, o nosso ofício é isso: o constante exercício. Além do que é um desafio para todos que fazem, provavelmente tão grande quanto fazer um longa-metragem. Só que com as especificidades e dificuldades de se fazer um filme, contar uma história, propor um arco dramático em um tempo curto. Os primeiros convites foram para trabalhos de graduandos da USP. Foram ótimas experiências, todos aprendendo a fazer cinema juntos.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Em todos os curtas do quais participei tive a sorte de trabalhar com diretores e profissionais muito sensíveis e talentosos. Há uma vontade enorme de fazer o melhor possível e com poucos recursos. Então tudo é feito com muito cuidado. No último curta que fiz (ainda em finalização) pude conversar muito sobre o roteiro, sobre a atuação, à medida em que as filmagens iam acontecendo. Isso é incrível. Todos estes curtas foram feitos com profissionais jovens. Acredito que temos uma geração de gente fazedora de cinema muito boa.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Os longas já padecem um pouco disso, não? Há muito pouco espaço para o cinema nacional. Ficamos muito influenciados por uma grade televisiva de filmes importados, especialmente americanos, e de qualidade muito discutível. Por uma questão econômica também tivemos uma crise na produção. Por ser muitas vezes a primeira aparição de novos cineastas, atores, roteiristas, deveria ter mais espaço da crítica. Mas que espaço tem a crítica de arte hoje?

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Se o lugar do filme é o cinema, então, a programação dos cinemas deveria dar mais espaço. Isso é questão de política cultural, de criação de alguma legislação que muitos podem considerar uma intromissão do Estado sobre o privado, uma interferência nas grades dos cinemas. No entanto, muitos dos curtas são financiados por políticas públicas, utilizam recursos diretos de empresas públicas ou com isenção de impostos. A ponta final, ou seja, o público, tem de ser amarrada ao processo de produção cinematográfica. Isso pode ser benéfico também para os cinemas porque trás gente, trás visibilidade. Realizar mais mostras de curtas, exibições entre longas, noites especiais de lançamentos e conversas. Custaria tanto assim às grandes redes de cinema?

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Para mim, como ator, tem sido. Não somos muitos o que sabem fazer cinema. A estética televisiva (e tudo o que ela produz) está muito arraigada na vida da gente e atrapalha porque são referências muito fortes de atuação, mesmo que se tente evitá-las. E o são não só para atores, mas para roteiristas, diretores, público também. O curta, geralmente, está mais ligado a ideia de um trabalho quase artesanal, de autoria, de ideia, de vontade de fazer cinema de aprender mesmo. A pressão por sucesso comercial, espaço na mídia etc., não é tão grande, em boa parte porque são feitos com orçamentos menores. É sem dúvida grande campo de liberdade para experimentação, para aprendizagem.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Um trabalho sempre é a melhor forma de ser visto, ser reconhecido. Nesse sentido, poderia dizer que sim, mas não acho que seja regra. Para novos produtores e artistas, me parece que é mais fácil produzir um curta para depois se arriscar num longa.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Vencer o que e pra quê? Falta espaço para diferentes formas de expressão, linguagens, princípios de criação, obras artísticas porque há uma ditadura da audiência que homogeneíza o que se produz. É um trabalho lento, que envolve questões sociais e culturais. A vitória é essa: democratizar a produção e incentivar a diferenciação. Ter uma produção cada vez mais diversificada, de conteúdo, de qualidade, acessível ao maior número de pessoas. Isso gerará empregos, trabalhos, renda, novas oportunidades.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Tem algumas ideias que eu e Tatiana Schunck (minha esposa e também atriz) compartilhamos e pensamos que pode virar cinema. Não dirigir exatamente, mas encontrar parceiros (diretores, roteiristas, fotógrafos etc.) para trabalhar essas ideias. 

Cristina Lago


Atriz. Atuou em “Éden”; “Bruna Surfistinha”; entre outros. Em curta-metragem atuou em “"O casamento de Mário e Fia"; “Irmãos” e; ““Um Dia de Maria”. Melhor atriz no II Festival Paulínia de Cinema por “Olhos Azuis” e Melhor atriz no Prêmio 100% Vídeo de Cinema Brasileiro por “Olhos Azuis”.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Primeiro de tudo um bom personagem e uma boa história para ser contada. Quando aceito um trabalho, seja um curta, longa ou uma peça de teatro, são muitas coisas que podem despertar minha atenção, a vontade de trabalhar com um diretor, a equipe, a concepção artística, um desafio. Sempre me interesso em conhecer os projetos, de onde menos se espera pode surgir algo muito bom!

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Encaro um curta-metragem com a mesma entrega que teria num longa. O último que filmei, no inicio deste ano, é de uma diretora estreante com muita vontade e talento. Havia uma garra e generosidade na equipe que contaminou todo o elenco. Às vezes, quando se trabalha com pouca grana, ou uma estrutura reduzida, a criatividade transborda e as soluções aparecem de onde menos se espera.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Os curtas tem pouquíssimos espaços de exibição. Conheço muita gente que não sabe nem o que é um filme curta-metragem. Numa visita ao interior do país, me perguntaram para que servia um curta se não passava em lugar nenhum. O Brasil é muito grande, tem muitas cidades que não possuem cinema, quiçá um festival com curtas. Acho que a mídia está mais interessada no que a grande parcela da população quer ver, no que dá mais ibope.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Acho que deveriam ter mais espaço na TV aberta, que ainda é o canal de maior comunicação que temos. Investir também em outras mídias, internet, e plataformas alternativas. Estamos passando por um período de transição no meio audiovisual, acho que agora é o momento para levantarmos esta questão e batalharmos por mais espaço para produção audiovisual brasileira em geral.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Acredito que sim, principalmente para os diretores.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Pode ser o belo trampolim, temos muitos exemplos de excelentes diretores que começaram com curtas e hoje são consagrados com seus longas.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Não faço ideia. Não acredito muito em receitas, cada um tem o seu caminho. Mas uma palavra sempre me vem à cabeça: persistência.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sou atriz e interpretar personagens é o que me dá mais prazer hoje, mas não descarto a possibilidade de dirigir no futuro. Na verdade tenho uma ideia ainda embrionária para um curta-metragem documental.

José Wendell Araújo


Ator. Atuou nos curtas-metragens “O Bebê de Tarlatana Rosa” e “As Chagas de Jesus”.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Adoro cinema, portanto participar de curtas-metragens é uma forma de me aproximar das produções nacionais e também de criar experiência artística com o cinema. Acredito que todo ator iniciante deveria se envolver com a produção de curtas. Para mimi é uma escola para o cinema.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Eu moro no Rio de Janeiro, mas não sou carioca. Sou "paraíba" de Campina Grande e quando cheguei aqui no Rio comecei a estudar na Unirio, lá foi onde encontrei aquelas plaquinhas com anúncios de teste para curtas. Ao longo desses oito anos fiz cinco curtas, mas só tive acesso a dois: “O Bebê de Tarlatana Rosa”, com direção de Renato Jouvex e “As Chagas de Jesus”, produzido por alunos da Darci Ribeiro. Outro muito bom que fiz com alunos da Estácio, super produção em película, se chamava “O Outro”, mas esse segundo a produção roubaram os originais. E de fato todas essas experiências contribuíram e muito para meu trabalho de ator. Quando comecei a fazer participações na TV já me sentia mais seguro e parte daquele universo.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Concordo que falta espaço nos jornais e na mídia em geral para a divulgação dos curtas. A sensação que fica é que por serem produções menores, geralmente exercícios de final de curso, é uma arte menor. Mas não é menor, é curta (risos), e isso não invalida a qualidade. Existe uma enorme produção de curtas pelo Brasil afora, quase que clandestinamente muitos estudantes, atores, diretores e amantes da sétima arte produzem suas próprias histórias e realizam suas produções. Apesar da grande mídia não atentar para tanta criatividade e produção, sites como o Porta curtas da Petrobras; o próprio Canal Brasil exibem e valorizam tal empreendimento.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Acredito que os municípios deveriam investir na criação e exibição de curtas em festivais, pequenos festivais. Aqui no Rio lembro que a Caixa cultural oferecia, não sei se ainda oferece, uma programação de curtas no horário do almoço. Isso eu achava genial, no centro do rio exibição de curtas no horário do almoço, incrível. Também o cine GLBT, que exibe além de longas, uma série de curtas com festa, DJ e cachaça de graça (risos). Ideias como essas valorizam o trabalho de quem produziu e finalizou um curta. Outra ideia bacana é a exibição de curtas nas escolas, a partir de temáticas que possam ser utilizadas para debates entre professor e aluno. Quando dei aula de teatro em Itaguaí (RJ), recebíamos da Petrobrás, DVDs com uma série de curtas com temas socioeducativos que faziam o maior sucesso entre os alunos. Acredito que iniciativas como essas seriam assertivas para retirar os curtas das prateleiras e incentivar cada vez mais a produção de boas ideias.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Com certeza. Esse campo, como falei anteriormente é sem dúvida o campo para a experimentação tanto para atores, produtores e diretores. É de extrema importância o incentivo e subsídios que facilitem essas produções. O curta é a oficina para o cinema e praticamente um novo estilo, um estilo compacto de cinema que deve sim, circular. Sair das prateleiras.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Pode ser. Mas não necessariamente nessa ordem. Falo isso com olhar e experiência de ator. Acredito que para outros profissionais ligados a produção e montagem do filme pode ser diferente.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Não acredito muito em receitas, a não ser de bula de remédio. Mas acredito que tudo corrobora para aqueles que acreditam. Se você quer fazer cinema como ator, deve sem dúvida se aproximar do mercado do cinema. A regra é paixão e coragem. Coragem para correr atrás. Infelizmente ainda é assim que se faz arte hoje no Brasil, correndo atrás, mesmo com algumas leis de incentivo. Para os atores, devemos cair nas graças de algum agente. Porque no Brasil o agente te escolhe, em lugares como EUA Europa os atores que contratam seus agentes.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Sim. Até já escrevi um roteiro. Pena que meu computador fez o favor de deletar(risos). Mas gosto de cenas curtas. Um curta para mim é quase como uma esquete. São pequenos fragmentos cheios de ideias. A síntese do curta é que me atrai por sua simplicidade. Onde o menos é mais.

Bidu Queiroz


Cineasta. É dele o curta-metragem “O Mundo é uma Cabeça”.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
O que me fez participar de produções em curta-metragem foi meu interesse em me tornar realizador, já que minha primeira experiência num set cinematográfico foi no longa-metragem “Baile Perfumado”, como assistente de câmera.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Minha experiência em trabalhar em curtas, quer seja como diretor ou assistente de direção sempre foi acima de tudo prazerosa. Filmar é uma grande diversão.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
O espaço para críticas de curtas-metragens na mídia existe, embora fique restrito a participação destes filmes em festivais de cinema. Acredito que o espaço não é maior porque o público que os curtas atingem não é tão amplo quanto o dos longas.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
A projeção de curtas antecedendo a exibição de longas nas salas de cinema pode ser uma saída.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
A linguagem cinematográfica é fruto da experimentação dos pioneiros, logo tanto curtas quanto longas, serão sempre um terreno fértil para a renovação da gramática fílmica. No caso dos curtas esta liberdade é maior face ao caráter independente da sua produção.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
O curta pode vir a ser um trampolim para um longa, mas não necessariamente, afinal existem realizadores que se mantem fiel a este formato por toda a vida.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Depende do que se entende por vencer, se é atingir um grande público, ou edificar uma obra consistente.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Por enquanto não penso em dirigir outro curta, já que estou envolvido no projeto de um longa, mas quem sabe futuramente.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

interrogAção


A incrível Mii Saki no Dossiê. Leiam a entrevista aqui: http://interrogacao.com.br/2015/07/entrevista-mii-saki-dossie-boca-do-lixo/

R.F.Lucchetti


Rubens Francisco Lucchetti, um artista acima dos rótulos!

Por Rafael Spaca
17/04/2011

Hoje, aos olhos do público e da crítica, o artista brasileiro já é aceito quando transita em mais de uma área. Não há tanta celeuma quando vemos, por exemplo, o músico Seu Jorge fazendo participações no cinema ou quando o ator Wagner Moura decide montar uma banda e se apresentar como músico.

O artista multifacetado é uma prática comum em outros países, principalmente nos Estados Unidos. Aqui no Brasil muitos artistas sofreram patrulhamento ao transitarem de uma área para outra. A lista é grande. Esse panorama começou a mudar no começo deste século.

Rubens Francisco Lucchetti é um artista múltiplo. Num país que sempre imprime rótulos nas pessoas, principalmente nos artistas, ele conseguiu escapar disso. Para a turma do cinema, Luchhetti é o roteirista dos filmes de Ivan Cardoso e Zé do Caixão; para a turma do HQ ele é o cara das revistas X-9, Detective, Policial em Revista, Meia-Noite, Zé do Caixão, entre outras.

No seu crachá poderiam constar várias funções: desenhista, teorizador e novelista policial. Fora isso, escreveu seriados e peças radiofônicas, organizou eventos culturais, fez cinema experimental com Bassano Vaccarini, roteiros para histórias em quadrinhos, fotonovelas, televisão e cinema. Ainda usa sua velha máquina para escrever seus textos e não cede à tecnologia. Começou a trabalhar aos 13 anos de idade, e aos 15, viu sua primeira história ser publicada. Ficou conhecido nacionalmente quando organizou na cidade de Ribeirão Preto um festival que homenageava Charles Chaplin, que por sua vez, tomou conhecimento e agradeceu a homenagem.

Escreveu mais de mil e quinhentos livros, a maioria deles com pseudônimo. Nos quadrinhos não foi diferente, ele sempre achava que um nome estrangeiro trazia mais credibilidade para as histórias que escrevia. Ao ser perguntado qual das áreas que trabalhou mais o encantava, respondeu: “quadrinhos, é uma arte mágica!”.

Lucchetti viveu o apogeu das HQs de detetive, suspense, terror e super-heróis. Entre os heróis que criou esta O Gato, com desenhos do soberbo Eugênio Colonnese. Mas foi no Terror que Lucchetti realmente se destacou e cravou definitivamente seu nome! Foi, sem duvida, uma das cabeças mais brilhantes do famoso núcleo de criação da histórica editora Continental/Taika (de Jayme Cortez e Miguel Penteado), e um dos responsáveis diretos pela criação do Terror Nacional, escrevendo centenas de histórias do gênero para as revistas da editora nos anos 60 e 70, auge do Terror no país. Foi roteirista oficial do gibi do Zé do Caixão, na década de 70, que durou vários números e eram ilustrados pela nata dos quadrinhistas da época como Rodolfo Zalla e Nico Rosso. Este último tornou-se praticamente o "artista oficial" dos arrepiantes roteiros de Lucchetti.

Segundo a pesquisadora Ivani Rosa: "Na época em que Lucchetti escreveu histórias para a revista de José Mojica Marins, “Zé do Caixão”, elas traziam o terror do cotidiano, de conteúdo social. Mostravam problemas e verdades, que naquele período, possivelmente um dos mais repressivos já existentes no Brasil – não podiam ser expostos. Segundo, Lucchetti, o que ele fazia era apresentar o painel do dia-a-dia, nas histórias, como por exemplo, crianças morrendo de fome e sofrendo de enfermidades fáceis de serem curadas, enquanto corruptos e ladrões de cofres públicos tinham seus filhos estudando no exterior. As histórias apresentadas na revista revelavam o estranho mundo de Zé do Caixão no Brasil."

Esse trabalho nos quadrinhos lhe deu cancha para trabalhos subseqüentes na televisão e, principalmente no cinema, onde roteirizou clássicos como "O Estranho Mundo de Zé do Caixão " (de José Mojica Marins) e "As Sete Vampiras" ( de Ivan Cardoso), entre muitos outros filmes. Por incrível que possa parecer aos olhos dos leigos, Rubens mostrou que todas as manifestações artísticas estão interrelacionadas, a arte pode ser classificável, mas o verdadeiro artista é inclassificável.

Hoje, já octogenário, o tímido e reservado Lucchetti vive discretamente em Ribeirão Preto, no interior de SP, sempre avesso a entrevistas e mais afins de curtir o sossego do lar do que aparecer em programas de TV. Embora ainda tenha muita lenha pra queimar, Mestre Lucchetti já deixou um sucessor a altura de seu talento. É seu filho Marco Aurélio Lucchetti, graduado em letras, mestre e doutor em Ciência da Comunicação pela USP e pesquisador e historiador de HQs, autor de vários livros como "A Ficção Científica nos Quadrinhos" (1991) e "As Sedutoras dos Quadrinhos" (2004). Como se pode ver, Rubens Lucchetti é tao genial que transmite cultura até pelo DNA! Longa vida aos Lucchettis, uma família fundamental para os Quadrinhos e a cultura brasileira!

Rafael Spaca, editor-fundador do blog Os Curtos Filmes.

Artigo escrito para o site Bigorna – quadrinho brasileiro em 1º lugar!

Para acessar: http://www.bigorna.net/index.php?secao=osimortais&id=1303065853

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Teresa Seiblitz


Atriz. No cinema atuou nos filmes “High School Musical: O Desafio”; “Querido Estranho”; “Fica Comigo (Um Grito de Amor)”; entre outros.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
O roteiro me faz participar de um curta. O assunto, a maneira de ver uma situação, o texto, a ideia.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Só participei de dois curtas: muito trabalho, nenhum dinheiro e um monte de gente empenhada em construir alguma coisa.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Achava legal quando tinha curta antes dos longas... talvez seja por aí... e, claro, nas TVs abertas também.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Com certeza um curta-metragem pode ser um ótimo exercício de liberdade devido a não estar ligado diretamente à venda, é também um grande exercício de concisão e clareza na maneira de apresentar as ideias.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Talvez um dia queira dirigir um curta-metragem sim. Sempre gostei de escrever e muitas escritos destes são cheios de imagens.

Carol Hubner


Atriz. No cinema, atua no longa-metragem “Ensaio Sobre a Cegueira” dirigido por Fernando Meirelles, e em seis curtas-metragens entre eles “Flash”, produzido pela O2 Filmes e premiado como melhor filme no festival de Pernambuco em 2011.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
A primeira coisa que analiso é o roteiro, mas se o projeto já estiver em andamento pretendo conhecer a direção, o fotógrafo e a equipe em geral se já escalada. Em um bate papo tento perceber os objetivos de todos, e averiguar se existe relação com os meus. Objetivos em comum e gostos parecidos, fazem qualquer tipo de relacionamento dar certo!

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
O cinema sempre me encantou, a tela grande, a invasão de um outro ponto de vista no espectador ou a veracidade de uma ficção, ou seja, a transformação de que a arte é capaz é o que me fascina. Sempre quis ser atriz, a minha parte produtora existe para que os objetivos da artista sejam alcançados. Desde as minhas primeiras lembranças como produtora, e no momento não as consigo separá-las entre filmes e teatro, sinto - me satisfeita pois sem ter vivido estas experiências não teria realizado os projetos que decidi ou colaborei para que saíssem do papel.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acredito que o que move a mídia é o dinheiro, a publicidade e a divulgação de produtos de origem privada, partindo da ideia de que a arte é pobre não podemos comprar espaços nos meios de comunicação. O que às vezes acontece é de um curta premiado ou bem criticado em bons festivais encontra um espaço nos jornais, sites ou blogs do segmento, pois na sociedade atual precisamos de um exemplo a ser seguido, e uma esperança que faça o mundo girar. Ou seja a arte ainda é muito controlada pelo dinheiro.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
O que os produtores podem fazer são sessões fechadas em teatro ou espaços alternativos. Do mesmo jeito que os produtores teatrais sem patrocínio ou apoio do governo fazem. Acreditam no boca a boca. Assistir à um curta-metragem em seu site após o pagamento de uma taxa pode ser uma boa solução. O produtor precisa conhecer todas as ferramentas do mercado para ter sucesso.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
O grande campo de liberdade de experimentação é a produção independente, seja ela em qualquer arte. Quando conseguimos exprimir a nossa ideia sem interferências ou prestação de contas e que atingimos a liberdade.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Um bom curta é uma fração de um bom longa, ou seja se conseguimos acertar no curta desde o roteiro até a pós produção significa que temos experiência e todas as chances de acertarmos em um longa.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Sou atriz, e o que tenho feito há sete anos é investir em meus projetos, embora tenha trinta e dois anos, ainda estou engatinhando, mas acredito que produzir, produzir, produzir é um dos caminhos, e é o que eu escolhi.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Gosto de atuar. Se fosse dirigir um filme seria baseado no universo dos personagens, ou seja precisaria compreender , construir todas as personagens do roteiro, acho que preciso de mais experiência para isso, mas direção de ator é algo que tenho me interessado muito, e essa é a função que estou escalada para o segundo semestre para o curta "Um sonho de verdade" de Bruno Zuppone.


Flávia Servidone


Atriz. Atuou nos espetáculos teatrais "Memórias de Brás";  "A Rosa do Povo" e; "Bailei na Curva". Atuou no curta-metragem "Alice K.", de Ruy Jobim Neto.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Bom, o que me faz aceitar primeiramente é a proposta do curta, o roteiro, se me agrada e parece ser algo interessante para o público acho que vale a pena participar.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Infelizmente, apesar de admirar muito esse trabalho, tenho pouca experiência, na verdade estou acostumada a atuar em teatro. Lembro da minha primeira experiência com câmera, foi uma vez que tive que fazer um vídeo que iria passar antes de iniciar a peça de teatro, uma espécie de introdução da peça, foi bem interessante, pois é bem diferente da atuação no teatro.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Eu acredito que os curtas são vistos como uma atividade alternativa, infelizmente no Brasil, a arte não tem muito espaço, só tem espaço o que é comercial e vendável, e curtas costumam ser mais "cult" e aí os jornais acabam se interessante por aquilo que vende mais, que o público em geral se interessa. O que é uma pena.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Eu acho que deveriam ser exibidos nos cinemas tradicionais de shopping, como os longas-metragens de Hollywood, talvez inicialmente com um preço mais acessível, mas, seria maravilhoso poder assisti-los nos cinemas convencionais. Os cinemas deveriam investir também em mais festivais de curtas, a televisão também, os canais abertos deveriam passar com mais frequência esse tipo de trabalho.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Acredito que sim, é um espaço que todos da equipe tem de experimentar criar coisas novas e colocar em pratica sua criatividade, pois eu vejo os curtas como um espaço para transmitir algo diferente e inovador para o público.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Nem sempre. Porém com certeza tendo experiência com um, é mais fácil conseguir fazer o outro.

Camila Chiba


Atriz formada pela Universidade Anhembi-Morumbi. Participou de musicais como "A Bela e a Fera", "Cats" e "Priscilla: Rainha do Deserto". Na televisão, participou das novelas "Morde & Assopra"; "Amor Eterno Amor" e "Amor à Vida".

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
O prazer de fazer cinema. É claro que levo em conta a história, o roteiro, os atores envolvidos e uma produção séria. Já participei de curtas na época da faculdade, mas depois que me tornei profissional não fui mais convidada. A verdade é que ninguém faz um curta pensando em ganhar dinheiro. Quem faz, seja dirigindo, produzindo ou atuando, faz pelo prazer de estar fazendo. E isso é muito bom porque se coloca o coração no projeto. Estou literalmente louca para fazer cinema.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Foram apenas curtas estudantis, geralmente dos cursos de Rádio/TV e Cinema. Mas existe uma coisa mágica nisso. Não importa se é curta, média ou longa-metragem, é cinema, e quando você vê aquilo projetado na tela grande é uma satisfação indescritível. 

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Porque ninguém vê curtas-metragens. Porque não existe essa cultura. O Brasil não é um país que investe em curtas. Logo não há a movimentação da mídia sobre isso. Infelizmente é assim. Uma aporia; a mídia não se interessa por aquilo que o povo não vê e o povo não vai ver aquilo que não desperta interesse na mídia.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Antigamente eram exibidos antes dos filmes. Havia uma lei que obrigava os exibidores a exibir os curtas antes dos longas-metragens estrangeiros. Isso incentivava a produção. Mas a lei deixava brechas, então os exibidores repetiam sempre o mesmo curta. Para piorar muito desses curtas eram experimentais e, portanto, difícil para o cidadão médio. Isso irritava o espectador. Houve tantas críticas que cortaram. Hoje o espaço que deveria ser dos curtas é ocupado por propaganda. Pena. Eu curto curta. A televisão é um caminho para a popularização dos curtas. Você já imaginou o sucesso que seria se a Globo exibisse um curta antes da novela das 21 horas? Ou se exibisse um curta nacional antes da Tela Quente? Seria demais. Isso facilitaria a captação de recursos, despertaria o interesse de vários outros profissionais.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
O curta permite sim a experimentação e a ousadia. Isso é bom, mas não podemos esquecer que isso gera um choque entre quem produz e quem assiste. O gosto do consumidor de cinema, pelo menos da maioria, é muito claro. Então, quando fazemos um curta experimental, já produzimos sem grande expectativa de exibição. Mas não se deve acreditar que o curta seja apenas um exercício de experimentação. Tenho visto curtas-metragens que não tem nada de experimental. Agora mesmo estou ansiosa para ver dois curtas e protagonizados pela estrela Sônia Braga; Um Mundo Invisível e Feijoada Completa.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Em relação ao diretor, quase sempre sim. Mas como cinema não é feito só por diretores, mas também por atores, produtores, músicos e uma série de outros profissionais, na maioria das vezes o curta é o cinema possível. Ou seja, aquele que você consegue fazer com pouco dinheiro. Também não podemos perder de vista que os curtas também são exercícios de aprendizado dentro das faculdades de cinema. Nesse caso sim, é uma maneira de ir treinando para um longa. Mas afirmar que o curta é apenas um trampolim para o longa é desmerecer o trabalho e a produção de muitos cineastas.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Audiovisual é um termo muito amplo. Compreende vários segmentos, portanto, não é possível se prescrever uma única receita. A televisão no Brasil é muito forte. Ela dita regras e formata a cultura do país. É tão poderosa que acaba por subordinar áreas do segmento audiovisual que em outros países funcionam de maneira independente. O cinema brasileiro já teve momentos maravilhosos, mas hoje perdeu a identidade. Os filmes hoje são feitos já pensando na TV. Seguem a linguagem da TV. Com isso temos uma televisão forte, mas o cinema é fraco e sem identidade. O mesmo vale para o teatro e para o circo. A verdade é que vivemos em um mundo capitalista. Aquilo que não rende dividendos ou não produz lucro monetário está fadado a "periferia". No caso do cinema é preciso mais salas de exibição e mais empresas distribuidoras. O cinema brasileiro precisa reconquistar o público brasileiro. Precisamos criar um universo cinematográfico. Não temos esse universo, por isso não temos estrelas do cinema. Os atores que fazem sucesso no cinema são da TV. Os diretores de sucesso, a maioria veio dos comerciais para a TV. O que mais se houve é que o cinema brasileiro é caro e não dá retorno, então, a solução é atrair o público pagante. Como isso vai acontecer, é uma questão complexa que envolve antropologia, sociologia, alienação, interesse financeiro, colonialismo. Diante de tudo isso fica difícil apontar uma solução. 

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Dirigir não. Mas atuar sim. Eu sou uma atriz. Quando penso em cinema penso em atuação. Eu acho que um dos problemas do cinema no Brasil é essa mania que todo mundo tem de achar que pode ser diretor de cinema. Não pode. Quem quer dirigir um filme precisa trabalhar muito. Cursar uma boa faculdade, conhecer equipamento, linguagem cinematográfica, estar disposto a trabalhar como contrarregra, assistente. Cinema é coisa para profissional, não para aventureiros. Você me perguntou acima qual a receita para o audiovisual; a receita para o cinema talvez seja levá-lo a sério. Os americanos sabem disso. Lá o cinema, seja o comercial ou o autoral é levado a sério. Por isso a produção cinematográfica está na base do PIB americano.