sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Marçal Aquino


Romancista, contista, roteirista e jornalista. Em 2005 publica o romance Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios”, que em 2012 torna-se filme, dirigido por Beto Brant.

O curta-metragem é o parente mais próximo do conto?
Acho que se pode fazer uma analogia entre o conto e o curta em relação ao romance e ao filme de longa-metragem.

O curta, assim como o conto, tem a síntese como uma das suas funções mais importantes. Como é trabalhar com a síntese?
Existem diversas maneiras de buscar a síntese, seja com a utilização de figuras de narração como a elipse, mas acima de tudo com cuidado de não querer “contar tudo”, respeitando-se sempre a inteligência e a sensibilidade do receptor, no caso o público.

Qual é o texto, conto ou livro que o senhor publicou - ainda não adaptado - que daria uma ótima adaptação em vídeo, seja no cinema ou no curta-metragem?
Já tive diversos contos adaptados, mas, pessoalmente, não penso em nenhuma adaptação – em geral, são os cineastas que têm esse desejo e me procuram.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Não saberia responder a essa questão.

O cineasta, ou produtor, que estiver lendo a sua entrevista nesse exato momento, pode procura-lo para pedir autorização para uma futura adaptação da sua obra em vídeo?
Normalmente, sou acessível a quem me procura por ter interesse na adaptação de alguma obra minha. Basta que eu enxergue uma seriedade de propósito, não costumo criar obstáculos.

O senhor gosta de participar da adaptação ou prefere ficar mais distante?
Se possível, prefiro não me envolver na adaptação, até para ser surpreendido por alguma abordagem diferente daquela que eu normalmente faria.

Qual nome da nossa literatura mereceria ser tema de um documentário? E por que?
São muitos os escritores que merecem um documentário. Para citar apenas dois: Manoel Carlos Karam (1947-2007) e Jamil Snege (1939-2003).

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Não tenho e nunca tive até hoje nenhum desejo de dirigir, seja curta-metragem ou longa-metragem. Sou um escritor e, como tal, estou plenamente satisfeito em participar do processo como roteirista.

Norma Blum


Atriz. Atuou nos longas-metragens “Cala a boca, Etelvina”; “Minervina vem aí”; “Pluft, o fantasminha”; “Jeitosa, um assunto muito particular”; entre outros.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Quando o tema me interessa. Foi assim com o média dirigido por Bruno Saglia para a BOXX Filmes que filmei no Rio em novembro passado. Ainda não vi o produto final.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Somente trabalhei em dois até agora.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acho que existe um preconceito contra o curta-metragem. No entanto ele é um veículo para divulgar novas linguagens, experiências, diretores e atores talentosos.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Na verdade os curtas-metragens e médias-metragens acabam ficando restritos aos festivais ou raramente a alguns canais de tevê. Acho que deveria haver espaço nos cinemas antes da exibição de um longa-metragem. Se há espaço para comerciais porque não para um curta-metragem?

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Com certeza. O Brasil ganha muitos prêmios internacionais com filmes publicitários. Pensando bem também são curtas-metragens. A diferença é que a verba dos comerciais é imensa.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Nem sempre. Mas pode tornar conhecido um aspirante a diretor, um técnico, um ator.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Se houvesse uma receita você não acha que alguém já a estaria aplicando? Infelizmente o cinema nacional (curtas, médios, longas) carece de uma política eficaz de produção. E o mercado está nas mãos de poucos e sempre os mesmos. No entanto está havendo uma evolução e novos talentos vão sendo revelados.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Tendo mais a dirigir documentários de média duração.

Lívio Tragtenberg


Lívio escreve músicas para teatro, vídeo, cinema e instalações sonoras. Compôs obras instrumentais, sinfônicas, eletroacústicas e operísticas. Criou a “Blind Sound Orchestra”, sanfoneiros cegos que dão ritmo a um filme mudo.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
O caráter experimental da proposta no curta-metragem. Ou seja, acho que usa-lo como um mini longa, é uma forma míope. Ao contrario, o curta pode desenvolver uma poética de imagem, som e narrativa próprias, especificas. Essa propriedade do formato, e mesmo a consciência dessa especificidade são essenciais para que um projeto de curta me interesse.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Meu primeiro trabalho com curta foi num filme de Eliane Bandeira em 1983. Depois fiz os primeiros curtas do Roberto Moreira, e inclusive colaborei no roteiro de um deles, “A Princesa Radar”, a partir de Oswald de Andrade. Também Júlio Bressane no curta sobre Oswald, que depois foi reunido num longa-metragem com vários diretores, “Oswaldianas”. Fiz trabalhos com o Joel Pizzini, desde “Caramujo-flor” dos anos de 1980, que sempre são estimulantes. E mais uns vinte outros filmes, ora também fazendo o desenho de som e mixagem. Recentemente o filme de Marina Lacerda das igrejinhas de Olinda, onde colaborei com o desenho de som e mixagem.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Porque não está agregado a eles valor de mercado. É um formato que não se encaixa na cabeça quadrada das grades de programação audiovisual de toda espécie. Sejam cinemas, TVs, TVs a cabo, edição em DVD, etc. E quanto a critica, ora a critica... está hoje mais para um pelotão auxiliar pra vender anúncio...

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Gostava daquela ideia, tão contestada, da obrigatoriedade de exibição do curta-metragem antes do longa-metragem em todas as salas. Gostava até quando os filmes eram ruins e o publico caia de pau, tinha uma vida ali. O público de cinema, tão passivo, ali se colocava, era divertido e realmente os filmes eram assistidos. Sou a favor de se voltar a alguma politica inclusiva para o curta. O papo de que isso é tutela, etc., foi plantado pelos exibidores e redes de distribuição americanas, que querem mais tempo para colocar as propagandas antes das sessões...

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Acho que sim, mas penso que o desejo da experimentação prescinde do formato. Se o cara é convencional será em qualquer formato, e vice-versa.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Em geral é encarado assim, por isso existe em torno dele um certo desapreço e descuido, em razão de sua transitoriedade na carreira dos envolvidos, mas isso é típico de uma mentalidade pré-formatada, mas dominante.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Se eu soubesse, queimaria...

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Porque não? A narrativa curta dá muito conta da fragmentação e imprevisibilidade dos dias de hoje. Além do que , não gera tantas dividas....

Layla Ruiz


Atriz e palhaça. Integrante da Cia. Malarrumada de Teatro e do grupo Doutores da Alegria. Atuou nos curtas “Jet Leg” de Tatiana Natsu; “Através” de Amina Jorge; entre outros.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Cinema é cinema, independente do formato. Cada vez mais filmes são realizados no Brasil e acho natural que o número de profissionais cresça, ampliando assim o mercado de trabalho também para os atores.  Fui convidada por duas diretoras que conheciam meu trabalho no teatro e no próprio set surgiram convites para atuar em outras produções, um trabalho levou ao outro e espero continue assim.

Aceitei participar de produções de curtas porque acredito que cinema se aprenda principalmente fazendo e nos trabalhos que participei pude aprender e conhecer muita coisa nova. Tenho um caderninho que uso em cada novo trabalho, uma espécie de glossário para expressões que eu não conhecia como, pan e tilt ou anotações sobre a diferença entre plano, take e quadro. O set ainda é um lugar enigmático para mim.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Atuei em cinco curtas-metragens, todos eles universitários. Considero que tive bastante sorte, estreei no curta “Jet Leg” de Tatiana Natsu, ao lado da atriz e diretora Helena Ignéz, um ícone do Cinema Marginal e uma artista ainda atuante no mercado audiovisual brasileiro. Depois participei do curta “Através” de Amina Jorge, que foi vencedor na categoria revelação do 23º festival Kinoforum de São Paulo. Os outros três filmes que participei estão em fase de finalização.

Para o ator, o cinema é um ambiente muito diferente do teatro, tanto na interpretação quanto na dinâmica de produção e criação da obra. O ator no cinema pega o bonde andando, o roteiro já existe, as locações, a equipe, a verba (ou parte dela) e o ator participa do miolo, do período das filmagens, que no formato de curta tende a ser menor do que nos longas, e depois se despede, voltando a entrar em contato com a obra tempos depois, quando o filme é finalizado. Esse é mais ou menos o ciclo.

No cinema o ator divide a autoria de sua interpretação com o diretor, que muitas vezes detém o poder de escolha do que quer captar de cada interprete. A angustia com certeza fez parte das minhas experiências no cinema, entender e assimilar essa relação não é simples, mas essa mesma angustia foi também um grande estímulo para o meu processo criativo.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
O público dos curtas está restrito aos cineastas e produtores, logo esse formato não tem espaço nas grandes salas de exibição, e sem espaço para apresentação não há público, se não há público não há interesse da mídia. Um ciclo inibidor de produção e apreciação do formato.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Festivais são uma boa opção, tanto para incentivar as produções quanto para possibilitar a exibição para o público em geral. Acredito que seja necessário abrir espaço para a valorização dos curtas e para a formação de um público que entenda esse formato como uma escolha artística. O curta metragem não pode ser visto como um filme pequeno ou como arte menor em relação ao longa metragem, esse talvez seja o primeiro pensamento que necessite ser combatido. Por isso, estimular o interesse do público pelo formato de curta metragem através de mostras e festivais ajude a fortalecer as produções e chame atenção dos meios de comunicação.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Na verdade acho que cada projeto, sendo longa ou curta, pode conter ou não características que façam dele um campo fértil para a experimentação. Como cinema é algo caro e envolve muitas pessoas, o formato de curta metragem acaba sendo uma opção viável para as primeiras produções de muitos cineastas, talvez venha daí seu carácter experimental, quando um artista dá os primeiros passos na construção e descoberta da sua personalidade estética e criativa. Mas o espaço para experimentação deve existir sempre, é ele quem areja o impulso criativo e possibilita a descoberta de novas linguagens.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Trampolim eu não sei se é a melhor expressão, eu diria que é uma Escola. Falando exclusivamente no campo da atuação, acredito sim que participar de um curta valha mais do que um curso de atuação para cinema, porque o trabalho no set é real, o desafio não é uma simulação, como se fosse um exercício em sala de aula.

Adquirir experiência ajuda a alçar voos mais complexos e ousados. Hoje, depois de ter participado de alguns curtas, me sinto mais segura e preparada para trabalhar num próximo filme, seja ele de curta ou longa duração. 

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Eu não me considero uma artista representativa do audiovisual brasileiro para responder essa pergunta, mas arrisco dizer que essa receita não existe. Captar recursos para um projeto é uma grande batalha no cinema independente, ainda mais quando apenas 0,05% do orçamento do país é destinado à cultura. Mas acho que para “vencer” na arte de maneira geral, um bom caminho é dar voz aos seus impulsos criativos e ter rebeldia e valentia para continuar criando.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Nunca pensei sobre o assunto, acho precipitado qualquer tipo de pensamento neste sentido, até porque ainda tenho muito que aprender sobre a linguagem cinematográfica, muitos personagens e roteiros para desbravar antes de ir para trás das câmeras. No máximo, arrisquei um devaneio sobre escrever roteiros, mas como disse, foi um devaneio.

Bruno Fagundes


Ator. Atuou no curta-metragem "#13Noir", projeto independente dirigido por Felipe Solari e Pedro Urizzi.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
A primeira coisa, sem dúvida, é gostar do projeto. O roteiro é primordial. Acredito que um curta ou é genial em termos de linguagem e direção, ou tem uma excelente história. Sem dúvida, o conjunto todo deve ser bem amarrado.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Eu tenho um curta saindo do forno! Produzi junto com meus parceiros, a dupla (de direção e roteiro) Kid Burro, composta pelo Cesar Nery e André Saito. São dois gênios!!! Mas curiosamente, não fiz muitos curtas. No período que fiz faculdade participei de vários para quebrar-galho pra amigos cineastas. Nessa época fiz um ótimo curta de terror, me diverti muito. O meu último trabalho nesse formato foi o “13Noir” da Guilhotina Filmes, comandado pelos meus amigos Felipe Solari e Pedro Urizzi. Sou fã desses caras. O material ficou excelente, foram 13 atores incluindo Bruno Gagliasso, Giovanna Ewbank, João Gordo, Junior Lima, Leonardo Miggiorin, entre outros.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Eu acredito que é muito difícil as mídias fornecerem espaço pra cada curta que aparece por aí. São muitos. Mas já vi projetos brilhantes sendo divulgados em jornais, revistas. Se o curta-metragem for promissor, com certeza vai chamar atenção.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Acredito muito no poder da internet. É a nossa principal ferramenta de divulgação para baixos orçamentos. É só olhar pro "Porta dos Fundos". É um exemplo perfeito de genialidade na internet e viralizou, espalhou pelo Brasil todo. O problema é que tem muita gente fazendo coisas ruins também. É a dor e a delícia da internet. Qualquer um pode postar seu vídeo caseiro que, na maioria das vezes é a pior coisa do mundo.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Certamente. Hoje em dia então temos muitos editais que incentivam a criação, execução. Acho que o curta serve para isso. Pra testar, arriscar formatos novos!

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Ah, espero! (risos)! De qualquer forma, se o trabalho for bom, será visto. Isso sempre ajuda.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Olha, eu não sei, mas se você achar alguém que sabe, me avise!!!!! Mas na minha opinião, lutar pelo baixo orçamento com qualidade pode ser uma ótima saída. Temos que unir forças mesmo, juntar talentos e forçar nossos limites para criar algo inovador, emocionante, artístico e forte o suficiente. E claro, boas ideias, informação, talento. Vencer em qualquer meio no Brasil, é uma luta sobre-humana.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Esse projeto que produzi com o Kid Burro foi um processo bastante colaborativo. Ficamos meses na pré-produção. Pesquisamos muito, nos aprofundamos, buscamos referências. Quem sabe um dia? Amo arte, amo minha profissão, quero me arriscar, buscar caminhos novos. Mas ainda é cedo. Não tenho o talento deles, nem o talento da Guilhotina Filmes! 

Andrea del Fuego


Escritora e jornalista, publicou os volumes de contos “Minto enquanto posso” (O Nome da Rosa, 2004), “Engano seu” (O Nome da Rosa, 2007) e “Nego fogo” (Dulcinéia Catadora, 2009), além de diversos livros juvenis e infantis. Seu primeiro romance, “Os Malaquias” (Língua Geral, 2010), foi ganhador do Prêmio Saramago de literatura.

O curta-metragem é o parente mais próximo do conto?
Concordo, acho também que a fotografia está próxima do miniconto. A extensão curta, com um único núcleo dramático como definição comum do conto também pode valer para o curta. Mas assim como cada novo bom conto inaugura uma nova teoria do conto, também deve valer para o curta a constante renovação de sua definição a cada curta bem sucedido.

O curta, assim como o conto, tem a síntese como uma das suas funções mais importantes. Como é trabalhar com a síntese?
É procurar onde está a força central da história e fazer com que ela se mostre sem atenuantes.

Qual é o texto, conto ou livro que a senhora publicou que daria uma ótima adaptação em vídeo, seja no cinema ou no curta-metragem?
No cinema acho que o romance “Os Malaquias” e o juvenil “Sociedade da Caveira de Cristal”. Para um curta-metragem quaisquer conto que publiquei em antologias. Penso que dariam imagens porque parto delas ao escrever.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Taí outro parentesco do curta com o conto. Com o conto há menos interesse pelo fato de ele render menos desdobramentos como um longa-metragem, por exemplo. Já pela leitura em si não faz sentido o menor interesse justamente pela leitura rápida, condizente com o tempo cada vez menor dedicado aos livros. Os curtas devem herdar essa mentalidade.

O cineasta, ou produtor, que estiver lendo a sua entrevista nesse exato momento, pode procura-la para pedir autorização para uma futura adaptação da sua obra em vídeo?
Claro, seria uma alegria imensa!

A senhora gostaria de participar da adaptação ou preferiria ficar mais distante?
O interessante seria justamente ver o livro ser outra coisa, um ponto de partida ou de chegada, eu ficaria longe vendo essa fotossíntese.

Qual nome da nossa literatura mereceria ser tema de um documentário?
Hilda Hilst e Raduan Nassar.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Dirigi alguns vídeos há muitos anos. Adoraria retornar, se alguém quiser uma diretora escritora, estou à disposição.

Tatiana Nequete


Roteirista, produtora e cineasta. Dirigiu o curta-metragem “Fez a barba e o choro”.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
A maior parte de minha produção são curtas-metragens. O primeiro curta que dirigi profissionalmente foi realizado com pouco orçamento, nada de pretensão, mas muito amor à camiseta, por parte de todos os envolvidos. Foi uma experiência intensa, mas ao mesmo tempo muito bonita. Depois o filme foi colocado num festival e acabou ganhando. Começamos a ganhar confiança e escrevê-los em muitos festivais. O filme foi arrecadando muitos prêmios nacionais, até que ganhamos a versão ibero-americana do Prix Jeunesse, o maior festival de conteúdo infanto-juvenil do mundo. Entre os prêmios, ganhamos uma passagem para ir assistir ao filme que seria exibido na versão internacional do festival, que acontece na Alemanha. Inscrevemos o filme lá também e entramos na mostra competitiva. A recepção foi incrível e saímos de lá com o Next Generation Prize e em segundo lugar na competitiva geral da categoria (perdemos apenas para uma produção da BBC, o que me deixa muito orgulhosa). Depois disso dirigi outros documentários, e escrevi outros curtas conjuntamente com amigos. O curta-metragem sempre nos proporciona experiências muito ricas e ainda que a maior janela de divulgação sejam os festivais, é possível fazer um curta que tenha uma linda carreira de festivais, o que é muito compensador.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acredito que exatamente pela razão que mencionei anteriormente: Por que o longa-metragem exerce uma dominação sobre o conceito "filme" na nossa mente, e por isso as possibilidades de exibição são reduzidas e em geral não são focadas no curta em si. A maioria das exibições de um curta são ou televisivas ou exibições em festivais. O que acontece na crítica resultante da exibição em festivais é que o crítico não está avaliando uma obra, mas uma mostra, e que tem acesso aos curtas de um festival acaba sendo exposto a um numero muito maior de obras do que o critico que escreve sobre os longas desse mesmo festival. E assim os curtas dividem a atenção e o espaço de texto desse crítico, resultando num texto menos aprofundado. E no caso da exibição de curtas nos cinemas, por exemplo, eles são colocados ali como um bônus pra quem vai assistir a um longa-metragem, ou seja, eles não são o foco daquela atividade. Quer dizer, a pessoa escolhe ver um longa e vai no cinema com esse intuito, muitas vezes, SE vai passar um curta-metragem antes ele sequer é divulgado como uma obra adicional da mesma sessão, e o espectador simplesmente não foi lá para vê-la, ainda que termine gostando.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Na minha opinião o sistema de exibição está mudando para todo o cinema, não só para o curta. Não sei dizer muito bem para onde está indo, mas tenho lido muito sobre isso e acredito que a internet está mudando o conceito que temos sobre o que consideramos "filme" e "exibição". É só olhar o material que as pessoas compartilham nas redes sociais, por exemplo. Não é raro ver alguém postando coisas como "Olha que legal esse 'vídeo' sobre meio ambiente" ou "Esse 'vídeo' é uma animação muito legal sobre não-sei-o-que". Na verdade tem uma grande parte desse material que são nada mais nada menos do que curtas-metragens que estão sendo compartilhados e vistos por centenas de pessoas, portanto não dá pra ignorar que isso é uma nova janela de exibição. Esses dias li uma reportagem onde o Spielberg e o George Lucas falavam sobre a falência do sistema de produção e distribuição dos grandes estúdios de Hollywood. Eles basicamente falam que vai haver uma implosão desse sistema e que apenas algumas poucas produções vão ser feitas com os mega-orçamentos que eles estão acostumados. De resto vão começar a surgir muitos outros filmes de orçamentos menores. Se isso acontecer esses filmes menores também precisarão encontrar novas janelas de exibição, assim como os curtas já fazem, e talvez a internet seja um caminho alternativo para a exibição desses filmes.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Claro, porque o curta não tem uma estrutura tão rígida quanto a de um longa. A pessoa que assiste a um curta espera ver essa liberdade, espera ver algo diferente, novo. Assim como os mecanismos de seleção são mais flexíveis. Se espera de um curta que ele seja inovador, ao passo que em termos de produção, pode ser difícil aprovar um longa inovador. Simplesmente pelo fato de que quem seleciona e aprova os roteiros de longa sabem que investir numa obra maior pressupõe um gasto considerável, e por isso preferem apostar em estruturas conhecidas, cujos resultados e retornos são mais certeiros (e por consequência mais conservadores).

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Não exatamente, ele possibilita sim a entrada de novos realizadores no mercado, e a visibilidade do curta pode ser reconhecida na hora desse realizador tentar fazer um longa-metragem. É algo a se colocar no currículo, e algo no currículo é sempre melhor do que nada. Mas uma coisa não necessariamente leva a outra.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Realmente não acredito que haja uma receita. Tem que ser muito insistente e paciente. Tem que se estar preparado para falhar muitas vezes até ter sucesso nas realizações - e não desistir no meio do caminho. Parece bobagem, mas vi muita gente boa desistir de fazer cinema por encher o saco do nosso terreno acidentado. Acho que todo o realizador tem que ser crítico consigo mesmo também, tem gente que faz os primeiros trabalhos e vai razoavelmente bem e sai achando que é o cara, daí acaba não evoluindo em sua carreira. Mas como eu disse, isso é minha opinião baseada em observações, é completamente pessoal, longe de ser uma receita. Aliás, se houver uma receita e tu descobrir primeiro, me avisa, ok?

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Claro, estou sempre pensando em dirigir curtas. É um formato que eu adoro e além disso tenho muitos roteiros prontos esperando para serem produzidos.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Vanessa Alves - Coletânea de Imagens e Palavras


Resenha escrita pelo Lúcio Reis a respeito do livro "Vanessa Alves - Coletânea de Imagens e Palavras" (Org. Rafael Spaca): http://www.cinemapoeira.blogspot.com.br/2015/08/lancamento-do-livro-vanessa-alves.html

terça-feira, 25 de agosto de 2015

7 ANOS!!!


Este ano o blog Os Curtos Filmes completa 7 de existência.

Para comemorar estes 7 anos, 7 grandes profissionais do cinema enviaram mensagens:


“Acho que quem ama cinema precisa achar seus correspondentes. Rafael Spaca criou o blog Os Curtos Filmes que é um caldo de feijão descendo pelo esôfago cinematográfico da pessoa: alimenta e provoca”.
Lusa Silvestre

“Parabéns Rafael Spaca, por ser o baluarte desta classe que anseia por dias melhores e que, certamente, vamos ter com pessoas como você. Adorei a série 5 Estrelas da Boca feita por você, sempre tão competente e fazendo um trabalho meticuloso, primando pela qualidade. Foi um prazer e um aprendizado. É muito bom quando mergulhamos no universo interior de nós mesmos, instigados por profissionais como você. Obrigada pela homenagem!”.
Noelle Pine

“Obrigado por defender a memória e a história do nosso cinema”. 
Bráulio Mantovani

“Parabéns e muito sucesso pelo seu blog Os Curtos Filmes, e pelo seu programa Zootropo! Obrigada por ser bem informado quando escreve sobre o cinema cult, e também por ser honesto, e pelo respeito e carinho que você tem com as atrizes em suas entrevistas. Beijo grande e mais sucesso!!!”.
Zaira Bueno

“Rafael, o teu blog, além de inteligente e atual, é absolutamente necessário para conservar as nossas memórias”.
Rossana Ghessa

“Me sinto feliz em ter sido a primeira pessoa a dar entrevista para o blog Os Curtos Filmes. Parabéns por esses 7 anos e que venham muito mais!”.
Helena Ignez

“Admiro muito a luta do Rafael Spaca, por mais espaço físico e histórico, para o nosso cinema. Leio sempre Os Curtos Filmes, seu blog”.
Gilda Nomacce

sábado, 22 de agosto de 2015

Divulgação


Sandra Barsotti


Atriz. No cinema atuou em “Romualdo e Juliana”; “O Grande Gozador”; “Quando as Mulheres Paqueram”; “Eu Transo, Ela Transa”; “A Noite dos Duros”; entre outros.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Primeiro de tudo, tenho uma paixão particular pelo cinema, não importa a metragem. Tem que ter, é claro, uma afinidade com o roteiro, com a equipe, enfim. O trabalho rápido seduz.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Já trabalhei profissionalmente e com estudantes também. Esses trabalhos vão para festivais, permitem ao público analisar o seu amadurecimento como atriz. Tem filme que se consegue fazer o milagre de rodar com trezentos reais.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
É a coisa do lucro. Não atrai a massa para fazer dinheiro. Os críticos não têm ojeriza a eles, acontece que os curtas-metragens não se encaixam no processo econômico que move as grandes mídias.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Hoje há canais que permitem a exibição, como o “Canal Brasil”, “Arte1” e “TV Cultura”. Alguns cinemas eventualmente ainda passam.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Eu acredito que pode ser sim. Ele te obriga a fazer um trabalho redondo, com padrões diferentes com pouca duração.  Por que tudo tem que andar dentro das regras? 

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
É um belo exercício para se começar.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Uma das coisas básicas para fazer em qualquer área é o estudo, é a cultura e saber criar rede. Tem que saber se relacionar e respeitar seus parceiros. O cinema é um trabalho coletivo, se a pessoa compreender isso... é fundamental para qualquer profissional.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Pior que já pensei, mas não entendo nada disso. Enquadramento, enfim, precisa ter disposição física, energia. 

Ivana Arruda Leite


Escritora e mestre em sociologia pela USP e autora de diversas obras. Publicou alguns contos e romances, enfocados no universo feminino e juvenil. Seu primeiro livro, "Histórias da Mulher do Fim do Século", foi publicado em 1997. Cinco anos depois, Ivana lança outra obra com o mesmo tema: "Falo de mulher". Em 2003, a autora começa a explorar a juventude com o livro “Confidencial - anotações secretas de uma adolescente”.

O curta-metragem é o parente mais próximo do conto?
Sim. Acho que são primos. Ambos têm que contar uma história que emocione no menor espaço de tempo. São histórias redondas que te nocauteiam (pra usar o chavão dos chavões).

O curta, assim como o conto, tem a síntese como uma das suas funções mais importantes. Como é trabalhar com a síntese?
Como eu não sou de muita enrolação, digo que o conto está no meu DNA. Embora tenha gostado de me aventurar por narrativas mais longas. Gosto de gente que diz a que veio e vai embora sem mais delongas.

Qual é o texto, conto ou livro que a senhora publicou que daria uma ótima adaptação em vídeo, seja no cinema ou no curta-metragem?
Eu acho que meu romance "Hotel Novo Mundo" daria um ótimo longa-metragem. Quanto ao curta-metragem, adoraria ver muitos de meus contos na tela. Meu sobrinho Joaquim Castro (que montou o documentário “Jards”) adaptou um conto meu, "Titila", no TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) dele e ficou o máximo. Há pouco tempo umas alunas de um curso de comunicação fizeram o mesmo com "Quatro Dolores".

"Berenice", "Doroti, a mulher sereia", "O carro de Toninha", "Mulher é tudo igual"... Tenho muitos contos que ficariam lindões na tela. É só escolher.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
No Brasil, qualquer expressão cultural que saía do conhecido, badalado, do caminho já trilhado tem que rebolar pra aparecer. É assim em todas as artes. O conto, por exemplo, está numa péssima fase. Ninguém quer publicar livros de contos. A hora é do romance. Mas as ondas vão e vêm. Torçamos pelo refluxo da maré. O bom é que o público está se orientando por outros meios e não só pela grande mídia e a internet é uma poderosa ferramenta pra isso.

O cineasta, ou produtor, que estiver lendo a sua entrevista nesse exato momento, pode procura-la para pedir autorização para uma futura adaptação da sua obra em vídeo?
Claro!!!!!

Lui Farias


Cineasta. Dirigiu os filmes Com licença, eu vou à luta”; "Lili, a Estrela do Crime" e “Os Porralokinhas”.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Meus curtas-metragens foram ensaios pessoais e adolescentes ainda no tempo do Super-8. Nada de relevante no entanto, mas que se revelaram muito importantes posteriormente para os longas-metragens e trabalhos audiovisuais que fiz.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Curtas-metragens nunca encontraram janelas suficientemente fortes para merecerem a importância devida. A grande mídia, (porque os curtas tem pouca importância comercial), lhes dá menos atenção do que merecem.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
A internet é a janela perfeita para os curtas. Vê quem quer, vê quem se interessa e é nela que imagino que eles possam ter retorno comercial.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Acho que experimentação é coisa para quem já tem experiência. Adquirida a experiência, você parte para a experimentação. Suas chances de acerto serão maiores.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Com a massificação da tecnologia digital, acho que qualquer um pode dar qualquer salto. Já vi coisas toscas feitas em VHS, mas cheias de talento, e coisas toscas capturadas em suportes digitais caros e pretensiosos. Digo isso porque um verdadeiro talento dá salto triplos mortais e ultrapassa o paradigma esperado: curta => longa. Acho mesmo que no Brasil alimentamos esse olhar, (esperançosos de que os curta-metragistas se tornem bons longa-metragistas), e nem sempre é o que acontece. Não há regra, na minha opinião. Agora, para responder objetivamente: o curta pode ser um trampolim para um longa.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Acreditar na internet como a grande janela a ser conquistada.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Não me ocorre um projeto que me empolgue no momento.

Perla Frenda


Atriz. Licenciada em Educação Artística, Habilitação em Artes Cênicas, pela Unesp (2003) e atriz formada pelo Teatro Escola Célia Helena (1997). Também atua como Arte-educadora em diversos projetos, como Guri Santa Marcelina e Teatro Vocacional. Também é autora da Coleção didática “Tempo de Aprender” (PNLD-EJA 2011), e “Arte em Interação” (Ensino Médio), ambas da editora IBEP.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Na verdade não participo muito de produções de curtas. Só fiz um até hoje. Não por falta de interesse, mas acho que porque meu trabalho está voltado muito mais a outras áreas, o que acaba gerando outros tipos de trabalhos. Penso que o que me faria aceitar participar de curtas é a proposta geral: assunto, história, personagens etc. Coincidentemente agora mesmo acabo de receber um convite para participar da elaboração de um projeto de um curta infantil. Me interessou por me parecer algo novo. Não tenho conhecimento de que se façam muitos curtas para crianças. Esta é minha área de atuação no teatro, então me pareceu bacana e uma área pouca explorada, que poderia dar um bom caldo.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
Então, como comentei na pergunta anterior, só fiz um até hoje. Foi uma produção de conclusão de curso e faz bastante tempo.

Por que os curtas não têm espaço em críticas de jornais e atenção da mídia em geral?
Acredito que porque o circuito de cinema está voltado para os longas-metragens e consequentemente a crítica e a mídia também. Me parece uma equação um tanto complicada de resolver: como criar espaço para salas de cinema exibirem curtas? Como fazer o público se dirigir ao cinema para ver curtas? Talvez unir vários em uma única exibição? Me parece uma possibilidade talvez.

Na sua opinião, como deveria ser a exibição dos curtas para atingir mais público?
Ops, acho que respondi na anterior... (risos). Mas penso que também há o espaço da internet. Vejo muita circulação de curtas pela net. Penso que é uma possibilidade viável de atrair mais público. Entre um trabalho e outro o cara para e vê um curta. Ou em casa, depois do trabalho. Só não sei se isso seria sustentável para as próprias produções, ou como seria possível ser.

O curta-metragem para um profissional (seja ele da atuação, direção ou produção) é o grande campo de liberdade para experimentação?
Pensando que o curta ainda não está amarrado a exigências de mercado, justamente por ter pouco mercado, acredito que é sim. Quando não se tem ninguém ditando regras, certamente a liberdade se torna maior.

O curta-metragem é um trampolim para fazer um longa?
Não sei responder se é, mas acho que não deveria ser esse o objetivo, nem de diretores, nem de atores, nem de produtores. Se existe a intenção de afirmar essa linguagem como autônoma, independente dos longas, acredito que o ideal seja explorar as características e as possibilidades próprias dessa linguagem, e não fazer um curta para visar um longa. Vejo quase a mesma relação quando me perguntam se faço teatro pra alcançar a TV. Definitivamente não. São linguagens diferentes, e cada uma tem espaços diferentes também.

Qual é a receita para vencer no audiovisual brasileiro?
Não faço ideia...(risos). Mas acho que expus algumas possibilidades nas outras perguntas. Possibilidades de uma leiga, importante frisar.

Pensa em dirigir um curta futuramente?
Nunca pensei. Mas não descarto. Vai saber.

Virgínia Cavendish


Atriz e produtora. Atuou no longa-metragem “Lisbela e o Prisioneiro”.

O que te faz aceitar participar de produções em curta-metragem?
Um bom roteiro. Conhecer o diretor e equipe envolvidos no projeto.

Conte sobre a sua experiência em trabalhar em produções em curta-metragem.
O único curta-metragem que fiz foi o meu primeiro trabalho no cinema. Chama-se "O Soneto do Desmantelo Blue", com direção do Cláudio Assis. Acho que é o primeiro filme dele também. Baseado num famoso poema de Carlos Pena Filho. Um dos mais importantes poetas pernambucanos.