domingo, 1 de outubro de 2017

Os Trapalhões: Fatimarlei Lunardelli


Fatimarlei Lunardelli
Autora da pesquisa acadêmica Ô psit! O Cinema Popular dos Trapalhões


Por que os críticos e a Academia rejeitam os filmes produzidos e estrelados pelos Trapalhões?
Acho que existe preconceito em relação à cultura de massa e popular. A Academia e os críticos não se indentificam com esse tipo de filme. Por isso, a rejeição.

Como classifica o cinema feito pelos Trapalhões?
De que perspectiva? Eu acho os filmes ótimos.

Qual o legado histórico que o cinema dos Trapalhões deixou para o país?
Legado histórico”? Não entendo a questão. Eles fazem parte da história do cinema brasileiro como uma das produtoras (R. A. Produções) mais bem-sucedidas de nossa história cultural.

Podemos considerar Renato Aragão um dos maiores e melhores produtores de cinema do país?
Sim.

Os Trapalhões sempre “brincaram” em parodiar filmes e clássicos estrangeiros de sucesso para o cinema. Que pensa a respeito dessa linha que eles seguiram?
A citação é um recurso tanto da arte pós-moderna quanto da arte popular e não é nova. No caso do cinema, é muito comum. Basta pensar na filmografia de Pedro Almodóvar. É um recurso estético e de comunicação ou até homenagem.

Quais foram os melhores momentos dos Trapalhões no cinema? Os melhores filmes?
Gosto de muitos filmes dos Trapalhões e isso é totalmente pessoal: Os Trapalhões o Mágico de Oróz, Os Saltimbamcos Trapalhões, O Cangaceiro Trapalhão, Os Mosquiteiros Trapalhões etc.

Quais foram os piores momentos dos Trapalhões no cinema? Os piores filmes?
Não sei... Piores filmes em termos de bilheteria? Verifique no meu livro as bilheterias de todos os filmes.

Os Trapalhões sempre se utilizaram de alguns recursos para angariar plateia que ia além do carisma do grupo, como atores famosos, grupos musicais famosos (Dominó, Trem da Alegria etc.) e artistas com forte apelo popular (Xuxa, Gugu etc.). Que acha dessa estratégia?
Eficiente.

Sua dissertação de Mestrado na USP, um estudo sobre o cinema dos Trapalhões, foi publicada em 1996 com o título de Ô Psit! O Cnema Popular dos Trapalhões. Quais as dificuldades que encontrou para realizar essa pesquisa? Que a motivou a fazê-la?
A motivação foi a percepção de que eles faziam um cinema popular e bem-sucedido como produto de mercado, mas sofriam o preconceito da crítica. Considerei importante investigar o que havia nesse cinema que fazia tanto sucesso de público, com um olhar científico, dentro de uma perspectiva acadêmica. Não tive dificuldades. Meu projeto foi muito bem acolhido na USP, pela profa. dra. Marília da Silva Franco, que compartilha comigo de uma visão positiva da cultura popular. A R. A. Produções disponibilizou, na época, a coleção completa de filmes em VHS para que eu pudesse assistir a filmografia completa.

Acredita que, pela importância que o quarteto possui no cinema, há pouca bibliografia a respeito deles?
Com certeza. Os Trapalhões têm uma grande importância para o cinema e a cultura brasileira; e o meu estudo, infelizmente, permanece como uma das raras pesquisas a se dedicar ao assunto.